Não é só o futebol que fica no topo da lista quando o assunto é a paixão nacional dos brasileiros.

Quem tem liderado essa posição junto ao esporte é a própria tecnologia.

De acordo com uma pesquisa da Accenture, empresa global de consultoria, tecnologia e outsourcing, em oito países, os consumidores brasileiros são aqueles que mais consomem eletrônicos em 15 categorias de produtos.

Eles têm superado a população mundial quando o assunto é o consumo de eletrônicos.

Talvez esse fanatismo venha da ideia de que tais objetos podem simplificar a vida das pessoas e tornar aquilo que sempre sonhamos em algo totalmente tangível.

Para citar um exemplo, podemos falar de artigos exclusivos e únicos.

Quem nunca se imaginou possuindo algo que o outro não tem? Acredito que isso seja natural do próprio ser humano, ainda mais num momento onde a fabricação para as massas tem sido cada vez mais acessível.

Ao mesmo tempo em que isso acontece, há também uma vontade imensa de possuir algo personalizado, e aí que entra o papel decisivo, e me atrevo a dizer revolucionador, das chamadas impressoras 3D.

Para alguns o assunto é novo, mas há outros que sonham em ver e ter posse de uma. O valor padrão dela sempre foi a partir de R$ 40 mil e geralmente é adquirida apenas por grandes empresas, obviamente.

No entanto, companhias especializadas têm trazido ao nosso país esses equipamentos por um preço muito mais acessível.

Considerando que o mercado brasileiro atualmente é um dos mais economicamente ativos do mundo, uma tecnologia como essa por R$ 5,7 mil, o preço que você pode encontrar uma impressora 3D hoje, pode ser adquirida por diversas pessoas, ou seja, pelo consumidor comum.

O que isso muda, então?

Está havendo uma democratização dessa tecnologia no Brasil. Agora, qualquer pequeno ou médio empresário pode obter essa máquina e conhecer de perto os benefícios da prototipagem rápida.

Outro setor beneficiado é o universitário, já que um equipamento assim permite maior interatividade entre professor e aluno, principalmente em aulas de Engenharia e Mecânica.

O grande destaque fica por conta da possibilidade de qualquer pessoa comprar a impressora e poder brincar com as inúmeras formas de criação que ela permite. Então, voltamos àquele ponto do início do texto, onde podemos realmente ter objetos únicos.

É claro que tudo isso exige algumas qualificações técnicas como o manuseio em programas como o CAD (Computer-aided Design), mas com a Internet sendo ainda mais acessível e com tanta informação disponível, fica ainda mais fácil tornar isso uma realidade.

Recentemente, uma universidade inglesa criou o protótipo do estádio de Londres para as Olímpiadas de 2012 em seis horas numa impressora 3D.

Sem contar que já houve até vestido e biquínis impressos nessas máquinas.

Sem dúvida vale a pena democratizá-las não só no mundo, mas principalmente no Brasil, onde há milhares de talentos ávidos para ter acesso a esse tipo de tecnologia para criar tudo o que está escondido no imaginário das pessoas.

É por isso que esse passo é só o começo. O começo de uma revolução.

*Sérgio Oberlander é sócio-fundador da Robtec.