Quatro de outubro de 2011, 17h13, gente correndo para lá e para cá.

Estou sentado em um café na frenética Avenida Paulista, conversando com um colega e acompanhando o lançamento mundial do iPhone 4S pelo twitter e pela cobertura de blogueiros.

É o primeiro grande movimento da Apple pós-saída do mago Steve Jobs.

Não sei se nossas expectativas é que estavam sempre niveladas por cima em momentos como esse, ou se esse evento foi meio apagado mesmo.

O fato de não ter Steve Jobs no palco com todo seu carisma já atenuou o brilho, e quando olhamos o que nos é apresentado, vemos um novo iPhone 4s apenas com um processador mais veloz, uma câmera com 8 mega-pixels (que o Galaxy SII já tinha), novos apps bacaninhas (por exemplo, o novo aplicativo, “Find My Friends”, que permite localizar amigos que também têm iPhone) e uma política de preços bem convidativa.

Eu gostei, mas particularmente esperava mais.

Duvido que o Steve Jobs dar-se-ia ao trabalho de subir no palco e apresentar “só” aquilo.

No meio da prosa, eu pergunto para o meu amigo:

“E aí, gostou? Vai comprar o novo iPhone 4S?”.

Ele me responde: “Ah, eu não preciso de um, mas tenho de ter!”

Achei que essa sintética e direta resposta retratou bem o significado da marca Apple.

Ele disse que não precisava, mas gostaria de ter.

Qual marca consegue extrair da boca de seus consumidores uma frase dessa?

Ele não precisa, mas tem que ter.

Qual marca consegue escalar o Trend Topics do twitter de maneira tão avassaladora quanto o escândalo do @RafinhaBastos no CQC?

Qual marca consegue fazer o mundo parar para assistir aos seus lançamentos?

Quem respondeu que é a marca da maçãzinha mordida acertou.

Naquele momento em que meu amigo me disse aquilo, me veio à mente uma frase imortalizada pelo mestre Peter Drucker: “O objetivo do marketing é tornar a venda supérflua.”

E a Apple, hoje, é uma das poucas marcas que conseguem fazer girar seus produtos em suas prateleiras pelo simples desejo que move na mente dos consumidores.

Não precisa fazer grandes apelos publicitários.

O produto e a marca por si são os “vendedores” da empresa.

Curioso que, no dia em que a Apple apresenta para o mundo seu iPhone 4s, no encontro da 5th Avenue com o Central Park, em Nova York, a loja da Apple Store, ou a “Meca” da tecnologia mundial, está passando por reformas.

Eu estive em Nova York há 20 dias e a famosa fachada (há quem diga que ironiza a pirâmide do Museu do Louvre, em Paris) está completamente coberta por tapumes com os seguintes dizeres: “We’re simplifying the Fifth Avenue cube.

By using larger, seamless pieces of glass, we’re using Just 15 panes instead of 90” (traduzindo: “Estamos simplificando o cubo da Quinta Avenida.

Por meio de pedaços de vidros transparentes e maiores, vamos usar apenas 15 painéis em vez de 90”).

Acho que eles estão simplificando os seus eventos de lançamento também, mas dentro da loja, lotação total. Nunca vi uma loja tão cheia em toda a minha vida.

Muita, mas muita gente mesmo.

As bancadas repletas de consumidores, de todas as idades, raças e perfis etnográficos, além de workshops de produtos sendo feitos pelos funcionários.

Minutos antes, eu estivera na loja da Sony, na Madison Avenue, e haviam sete consumidores.

No dia do lançamento iPhone4S, coincidentemente, a consultoria Interbrand divulgou seu novo ranking de valor de marca, e a Apple apresentou o maior crescimento de valor no mercado.

*Marcos Hiller é coordenador do MBA em Gestão de Marcas da Trevisan Escola de Negócios.