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Mulheres na TI: um bem escasso e precioso

Daniel Huallem // terça, 20/12/2011 11:45

Já nos anos sessenta, a cientista norte-americana Grace Hopper dizia que para ela programar era algo tão simples quanto preparar um jantar, tal era a familiaridade que tinha com o assunto.

Seu talento e pioneirismo na área de tecnologia da informação já apontavam que a presença, o interesse e o êxito das mulheres nesse ramo de atividade obedeceriam a uma curva crescente.

Assim como a participação feminina, o segmento de tecnologia da informação mantém, há anos, uma significativa expansão – em níveis nacional e global. Segundo dados do IDC, em 2010, o setor faturou US$ 1,5 trilhão globalmente e até 2020 deverá duplicar esse total, alcançando US$ 3 trilhões.

No mesmo ano, apenas o mercado brasileiro de TI movimentou US$ 85,09 bilhões, representando uma fatia de 4% do PIB nacional e um significativo aumento no número de oportunidades.

Empregando 1,2 milhão de pessoas e com uma expansão clara, o cenário revela um ambiente promissor, que busca suprir a crescente demanda por profissionais qualificados, independentemente da sexualidade.

Dois pontos incentivam o aumento da participação feminina no mercado de tecnologia da informação, primeiro o fato dessa participação ainda ser baixa, segundo a busca incessante do segmento por bons profissionais.

Segundo dados da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), a taxa de evasão de alunos nas escolas de tecnologia é de 82%.

A média de mulheres matriculadas nos cursos de TI em instituições conceituadas, como ITA e Unesp, também é baixa e gira em torno de 10%, de acordo com uma pesquisa de 2009, realizada pelo Instituto Great Place to Work.

O crescimento acelerado e as chances oferecidas pelo setor abrem um leque de vantagens e oportunidades para o público feminino, que começa a descobri-lo.

Outro dado desta mesma pesquisa mostra que apesar da participação ainda tímida, hoje, elas já representam 16,14% dos profissionais que atuam na área e se destacam por apresentar atributos marcantes, peculiares às mulheres.

Flexibilidade, sensibilidade e habilidade para ouvir são algumas das características difíceis de serem encontradas nos homens que ocupam cargos técnicos.

Claro que esta não é uma regra, mas de modo geral, por serem mais sociáveis e terem maior poder de diálogo, as mulheres também contam com maior potencial de liderança.

Por todos esses motivos, podemos dizer que elas se tornaram peças-chave em áreas como a de consultoria, na qual é essencial construir uma ponte para a negociação entre cliente e projeto.

A crescente mudança cultural e a visibilidade dada ao papel do profissional de TI têm cada vez mais evidenciado a importância da mulher na área.

A relevância delas no papel de responsável pela renda familiar, em muitos casos, também tem impactado no posicionamento das mulheres na sociedade e, em função disso, elas têm buscado meios de se inserir no mercado e se dedicado ao desenvolvimento acadêmico.

A busca do aprimoramento técnico era o que faltava para elas ganharem ainda mais espaço nesse setor de TI, pois além da competência que geralmente lhes é peculiar, elas passaram a utilizar de forma eficiente a inteligência emocional frente às adversidades do mundo corporativo.

O “jogo de cintura” feminino faz das mulheres que atuam no mercado de TI, em geral, profissionais completas, que conseguem conciliar as responsabilidades das atividades técnicas aos processos de gestão, com perfis de liderança e ótimo relacionamento interpessoal.  

As empresas que souberem encontrar uma forma de permitir a conciliação das tarefas pela mulher certamente não se arrependerão das contrapartidas que o cérebro feminino poderá lhe proporcionar.

Um ponto importante é a necessidade de se buscar alternativas, iniciativas e benefícios que reconheçam esse talento nato e que explorem cada vez mais essas virtudes, ainda escassas no ambiente de TI, ainda tão masculino.

* Daniel Huallem é CEO da BExpert