Baguete
InícioArtigos> Porque escolas deveriam usar exclusivamente Software Livre

Tamanho da fonte:-A+A

Porque escolas deveriam usar exclusivamente Software Livre

Richard Stallman // segunda, 21/05/2012 18:37


Existem razões gerais pelas quais todos os usuários de computador deveriam insistir em software livre: ele dá aos usuários a liberdade de controlar seus próprios computadores — com software proprietário, o computador faz o que o dono do software quer, não o que o usuário quer.

O software livre também dá aos usuários a liberdade de cooperar uns com os outros e levar a vida com retidão. Essas razões se aplicam às escolas tanto quanto a qualquer pessoa. O propósito desse artigo é expor razões adicionais que se aplicam especificamente a educação.

Atividades educacionais (incluindo escolas) têm o dever se ensinar apenas software livre. Aqui estão os motivos.

Em primeiro lugar, o software livre pode poupar dinheiro às escolas. Ele proporciona às escolas, como a outros usuários, a liberdade de copiar e redistribuir o software, de modo que o sistema escolar pode fazer cópias para todos os computadores que possui. Em países pobres isso pode ajudar a acabar com a dívida digital.

Essa razão óbvia, embora importante em termos práticos, é um tanto superficial. Desenvolvedores de software proprietário podem eliminá-la ao doar cópias às escolas. (Aviso: uma escola que aceita tal oferta pode ter que atualizar o software mais tarde.) Então vejamos as razões mais profundas.

Escolas têm uma missão social: ensinar seus alunos a serem cidadãos de uma sociedade forte, capaz, independente, cooperativa e livre. Elas devem promover o uso de software livre assim como promovem a reciclagem. Se as escolas ensinarem o software livre, os alunos tenderão a usá-lo depois de se graduar. Isso ajudará a sociedade como um todo a escapar do domínio (e abuso) das megacorporações.

O que as escolas devem se recusar a ensinar é a dependência. Essas corporações oferecem amostras grátis a escolas pela mesma razão que algumas companhias de tabaco distribuem cigarros grátis a menores: para que as crianças se viciem (nota de rodapé 1). Eles não darão descontos a esses estudantes quando adultos e graduados.

O software livre permite aos estudantes que aprendam como o software funciona. Alguns estudantes, quando chegam à adolescência, querem aprender tudo o que podem sobre computadores e software. Tem uma curiosidade intensa de ler o código-fonte dos programas que eles usam todos os dias.

Para aprender a escrever bom código, os estudantes precisam ler e escrever muito código. Eles precisam ler e entender programas reais e que as pessoas de fato usem. Somente o software livre permite isso.

O software proprietário rejeita a sede de conhecimento dos estudantes: ele diz, “O conhecimento que você deseja é secreto — aprender é proibido!” O software livre encoraja todos a aprender. A comunidade do software livre rejeita o “sacerdócio da tecnologia”, que mantém o público geral ignorante de como a tecnologia funciona; nós encorajamos estudantes de qualquer idade e situação a ler o código-fonte e aprender o quanto eles queiram aprender. As escolas que usem software livre permitirão que estudantes com um dom para programar avancem.

A razão mais profunda para utilizar software livre nas escolas é a educação moral; esperamos que as escolas ensinem aos alunos fatos básicos e habilidades úteis, mas isso não é tudo. O trabalho mais fundamental das escolas é ensinar como ser um bom cidadão, o que inclui o hábito de ajudar uns aos outros.

Na área da computação, isso significa ensinar as pessoas a compartilhar o software. Escolas, começando pelo berçário, devem ensinar seus pupilos que “se você traz software para a escola, você deve compartilhá-lo com seus colegas. E você deve mostrar o código-fonte à turma, caso alguém queria aprender.”

Naturalmente, a escola deve praticar aquilo que prega: todo o software instalado pela escola deve estar disponível para que os estudantes copiem, levem para casa e passem adiante.

Ensinar os estudantes a usar software livre e a participar na comunidade do software livre é uma lição cívica levada à prática que também ensina aos alunos a se espelhar no trabalho comunitário ao invés de nos magnatas. Todos os níveis da educação devem usar software livre.

*Richard Stallman é o pioneiro do Software Livre.
 

COMENTÁRIOS ANTERIORES
João Inácio

postado em: 22/05/2012 - 16:38

“O conhecimento que você deseja é secreto — aprender é proibido!” ? Não concordo nem um pouco. Por mais que as tecnologia desenvolvidas pela Microsoft, por exemplo, sejam proprietárias o mundo de oportunidades e conhecimento que são fornecidas é enorme. Faça essa pergunta em uma sala de aula da Sisnema. :)

Fernando

postado em: 23/05/2012 - 10:43

Perguntas: alguém já viu e conseguiu alterar o fonte do MS-Windows ? Ou o fonte do MS-Internet Explorer ? Você compraria um carro em que só as "redes autorizadas" pudessem consertar ? Conhecer as DLL´s do Windows é uma coisa. Alterar o fonte e poder criar uma distribuição do Linux é outra totalmente diferente. É isto que o autor se refere.

MarceloC

postado em: 24/05/2012 - 08:30

Que matéria mais ridícula...

Carlos.crga

postado em: 24/05/2012 - 13:31

Ridiculo é pouco... uma coisa é apoiar o software livre em escolas, concordo que QUANDO POSSÍVEL deve ser utilizado, mas essas teorias de "retidão, proibido aprender" entre outras, só maluco mesmo pra acreditar.

Wagner

postado em: 29/05/2012 - 21:35

Até parece que todo mundo quer entender como um SO funciona, modificar ele e distribuir cópias por aí...
As escolas usarem software livre é uma coisa... querer que todo mundo use software livre é outra. Se existirem sistemas livres que ganhem dos proprietários em funcionalidades, além do preço... não vejo porque não usar.

Ismael

postado em: 31/05/2012 - 17:10

DEVER aprender algo é diferente de PODER aprender.

Se um programa for de código aberto, a minoria que se interessar pode ir atrás e aprender. Se for fechado, não há chance.

E só porque alguém faz parte da maioria que não se interessa, não deve achar Ok proibir os poucos interessados.

Equívoco um pouco a parte, mas importante, é achar que informática é coisa pra quem vai ser programador só. Informática, com programação básica, deveria ser cadeira de segundo gráu, do nível das tradicionais.

Saber encontrar, extrair e processar dados no volume que se tem disponível é muito mais importante que decorar os milhares de nomezinhos das partes em botânica na biologia, ou saber todos compostos da química orgânica.

E ainda com a vantagem de ser mais simples de aprender e verificável facilmente.