Você já escutou muitas pessoas falando sobre isso, já leu muitos artigos sobre o tema, já fez reuniões acaloradas com gerentes e diretores sobre o assunto, e mesmo assim, quando precisa assinar o cheque, não tem certeza se está tomando a decisão correta.

Essa dúvida é comum na maioria das empresas em todos os segmentos: "Faço dentro de casa ou contrato alguém que faça isso para mim?". O que é preciso saber antes de terceirizar a área de TI?

1º Foco total em SEU negócio

O que a empresa faz de melhor? O que realmente vende? Qual o core business? Se você navega no "Oceano Azul" dos mercados, e pode se dar ao luxo de investir tempo e dinheiro em áreas de suporte a sua empresa, que não estão ligadas diretamente ao seu core business, parabéns, você é um privilegiado.

Mas, eu mesmo não conseguiria enumerar meia dúzia de corporações nessa situação. Por isso, canalize esforços para operacionalizar, escalar e organizar estrategicamente o negócio da entidade, e não as ferramentas ou tecnologias que dão suporte a ela.

Se um dos diferenciais em seu negócio está "embutido" em alguma tecnologia ou software, e isso pode se tornar um risco estratégico para a instituição, pense em adotar uma solução híbrida: mantendo uma equipe interna bem mais "enxuta" e especializada (talvez de analistas de negócio e engenheiros de software), atuando na gestão estratégica da área, apoiados por outros fornecedores que possam prestar todo suporte necessário para a implementação e desenvolvimento das soluções.

2º TI é uma área especializada

Contratar pessoas especializadas na área de TI ou pesquisa & desenvolvimento, não é uma tarefa fácil. Você tem gerentes com experiência em desenvolvimento de projetos e tecnologia, ou vai precisar buscar estes profissionais no mercado

A empresa possui uma área de Recursos Humanos capacitada para contratar este tipo de profissional? A área de negócios possui um planejamento para trabalhar em conjunto com a nova área de TI? A entidade disponibiliza tempo para esperar a estruturação e o "setup" da nova área?

Uma instituição precisa de suporte de TI em diversas áreas, desde infraestrutura de rede, até pesquisa e desenvolvimento.

E, cada uma das áreas exige profissionais especializados com skills específicos. Por esse mesmo motivo, o investimento em contratações geralmente é alto, e manter uma política para retenção de profissionais é indispensável.

3º Compartilhar riscos

Pensando de uma forma bem objetiva, quando terceirizamos determinada atividade de uma empresa, estamos compartilhando parte do risco do negócio com outra entidade, no nosso caso, um fornecedor de serviços de outsourcing.

E nesse contexto, não estão inclusos apenas a diminuição de passivos trabalhistas e redução de esforços em contratação, mas todo o risco envolvido na estruturação de uma área. Se a instituição vai se "aventurar", montando uma área totalmente nova, pense em compartilhar alguns dos riscos com outra empresa, que seja especializada em "comprar" e minimizar tais riscos. Um dos mecanismos mais eficientes para acelerar o crescimento de uma empresa, é o compartilhamento de riscos através de terceirização.

4º Não contrate fornecedores, encontre parceiros

Se a empresa está pensando em terceirizar um serviço de TI, e a decisão de contratação será feita única e exclusivamente baseada em custo, vale a pena reavaliar com quem você está compartilhando os riscos. O foco não é tecnologia, mas nem por isso você vai "jogar" essa responsabilidade para qualquer outra instituição.

"Mas se o serviço for entregue conforme especificado e dentro do prazo, está tudo certo". Não, não está. A distorção nesse pensamento está em ignorar como a pesquisa e o desenvolvimento de software são realizados.

Essas atividades exigem trabalho especializado e, na maioria das vezes, pessoas com capacidade inovadora. Se você fechar um contrato com uma entidade que não seja especializada, com pouca capacidade de inovação, que mantem seus clientes "em custo" e oferece qualidade reduzida, é bem provável que a experiência com terceirização seja um grande pesadelo.

Se for terceirizar, procure um parceiro, não apenas um fornecedor. Procure uma empresa especializada e capacitada tecnicamente, mas que também possa apoiar estrategicamente a gestão da área de TI, e que tenha conhecimento sobre o negócio da instituição. Um fornecedor "cumpre o contrato", um parceiro vai te ajudar a identificar oportunidades de mercado e sempre vai buscar a relação "ganha-ganha".

Não existe a solução ideal e nem a "bala de prata" para todos os casos. Terceirização nem sempre é o melhor custo-benefício. Manter uma área de TI interna não é um trabalho fácil.

Ao mesmo tempo em que todas as pesquisas mostram o crescimento mundial do outsourcing, escutamos relatos de empresas insatisfeitas com a qualidade do serviço prestado por consultorias. Enfim, coloque "em cheque" essas questões com os gestores e gerentes, e terá informações importantíssimas no momento da tomada de decisão.

*Eduardo Kruger é sócio da Informant, empresa especializada na prestação de serviços terceirizados em Pesquisa e Desenvolvimento de Software.