É impressionante como hoje em dia usamos a caixa mágica para quase tudo. Para realizar nosso trabalho diário precisamos dela, assim como para os nossos estudos e os de nossos filhos.

Se queremos informação, comprar algo novo ou apenas pesquisar preços, a utilizamos. Para pagar contas, não vamos mais ao banco. Sentamos na frente dela.

Se estamos entediados e queremos nos distrair um pouco, podemos aproveitar algum vídeo ou game nessa caixa. Sem falar na distração dos filhos por horas. Bendita caixa.

Até para marcar a pelada do final de semana com os amigos, usamos a tal caixa.

Falando em amigos, quando queremos saber das novidades e das fofocas, aí sim a caixa é mais que mágica... é espetacular! Nela, vemos as fotos, comentamos, rimos, compartilhamos, e é claro... curtimos!

Antigamente a caixa mágica era a TV, mas atualmente é algo muito mais poderoso. Todo esse poder é perigoso no ambiente de trabalho.

Pense na sua empresa. Se na própria ferramenta de trabalho também são embutidas todas aquelas funções, quais as chances dos colaboradores se distraírem no horário de trabalho? Eu diria que, pelo menos, 99%.

Claro que não há nenhum problema em se distrair eventualmente, afinal, não somos robôs. Aliás, eles, os robôs, fazem muito bem o trabalho repetitivo, com alta produtividade e sem pressionarem os patrões via sindicatos.

Mas estamos na era da criatividade e da inovação. Atualmente, se espera das pessoas que pensem, que raciocinem, que melhorem os processos, que forneçam ideias e não mais que façam trabalhos repetitivos.

Eu falei antes que 99% das pessoas se distraem na Internet. Na verdade, pesquisas mostram que 97% admitem navegar em sites pessoais durante o trabalho. Porém acredito sinceramente que alguns não admitiram isso na pesquisa. Mas nada demais até aqui.

Agora quando vemos números de outra pesquisa mostrando que essa distração é de praticamente seis horas por semana, ou seja, 24 horas por mês, podemos começar a nos preocupar.

Faça essa conta : 24 horas vezes o número de pessoas que trabalham com o computador na sua empresa, multiplicado pelo custo/hora. Se você não sabe o custo/hora, então considere R$ 10,00. Já fez? Pode fazer, eu espero. OK. Agora multiplique o resultado por 12 para ter o valor anual.

Ficou assustado? Imagino que sim. Muito bem, esse é valor que a sua empresa desperdiça no uso de recursos humanos e tecnologia. Poderia ser usado melhor, não é?

Não precisamos tentar zerar esse número de vez, até para não ceifar a criatividade e a inovação, mas melhorar essa produtividade é fundamental.

Aqui temos um novo desafio. Antigamente medir a produtividade era mais fácil. Quantas peças foram entregues ao final do dia? Quantas tiveram de ser descartadas? Qual o índice de retrabalho? E o de absenteísmo?

Agora, tudo mudou com a caixa mágica que tudo permite. Medir a produtividade ficou muito mais difícil. Então vamos combater fogo com fogo, ou melhor, tecnologia.

São três as opções:

1. Bloqueia tudo. Ninguém terá distração no computador, mas essa política terá uma baixa aceitação pela equipe;

2. Não bloqueia nada e não mede o uso. As pessoas vão adorar trabalhar nessa empresa, mas é provável que aconteçam problemas de baixa produtividade;

3. Bloqueia o necessário, dá liberdade mas controla o uso. Neste caso os abusos serão identificados, bem como quem realmente veste a camisa da empresa.

O equilíbrio é a chave, por isso recomendo a terceira opção.

Hoje, já existem no mercado soluções tecnológicas (softwares) que são capazes de medir a produtividade, identificando o uso adequado e as distrações no computador. Elas também bloqueiam o necessário e deixam a vida do gestor muito mais fácil. Tanto na hora de produzir aquele tradicional relatório ou simplesmente reconhecer quem se destaca pelo bom trabalho.

*Fábio Santini é Diretor da Neteye.