Por vários anos, no mundo do desenvolvimento de software, tivemos grande ênfase nos aspectos da engenharia, codificação e especificação.

Desenvolvedores ouviram e estudaram incansavelmente assuntos voltados aos padrões de projeto, boas práticas, técnicas específicas da tecnologia, orientação a objetos etc. Dentre tudo isso, a interface e a navegação (identificada assim) também eram tarefas únicas do desenvolvedor, que, por sinal, as realizava sem muita expertise.

Não estávamos errados. Ainda hoje é assim, porém com um pilar a mais: a Experiência do Usuário (UX – User eXperience).

Agora, além dos desafios da arquitetura de soluções no back-end, também nos deparamos com os desafios da experiência do usuário no front-end. E em um cenário interessante, em que designers e desenvolvedores trabalham lado a lado, em um mesmo produto, a partir da perspectiva UX.

A experiência do usuário pode ser definida como a maneira em que um usuário se sente sobre o uso de um sistema, website, aplicativo, ou qualquer outro produto ou serviço. Resumindo, a tarefa da UX é fazer a ponte entre o design e tecnologia.

Essa “ponte” evoluiu de tal forma que afetou a indústria de telefones celulares, modificando seus hardwares para a tecnologia touch, que por sua vez refletiu para outros ambientes e chegou aos tablets, laptops e computadores com multi-touch. Estamos na era de software focado na experiência natural do usuário (NUI – Natural User Interface).

NUI é mais do que apenas multi-touch. NUI também é “gesto de interfaces”, como aqueles em que o Kinect se baseia, usando o rastreamento dos movimentos de corpo, expressões faciais e reconhecimento de voz.

Em termos, temos tudo isso muito forte em plataformas como Windows 8, iOS, Kinect entre outras. Os desenvolvedores codificam a interface, por exemplo, utilizando o XAML (WPF, Silverlight e WinRT) e HTML5 que permitem o trabalho nesse campo de soluções inovadoras.

Mas você deve estar se perguntando: “desenvolvedor fazendo design?”. A resposta é sim e não. SIM, pelo fato dele estar fortemente ligado ao design da aplicação, e NÃO, por ele não ser o criador das cores, formas e disposições. Afinal, esse é o papel do Designer, que hoje é um profissional cada vez mais forte dentro do que chamamos de Ciclo de Desenvolvimento de Software.

O desenvolvedor tem um papel importante nessa ligação (ponte). Ele trabalha o comportamento da interface conforme a operação do usuário, o que torna mais fácil a execução de determinadas ações triviais. Isso é Design de Interação, isso é parte da UX.

Podemos apontar sete características fundamentais para adotar uma boa UX:

1. Usabilidade: simplificar a tarefa de usar a aplicação.

2. Ser útil: é mais fácil para o usuário alcançar seu objetivo utilizando a aplicação.

3. Ser encontrável: fácil acesso às funcionalidades mais importantes.

4. Ser credível: uma boa experiência do usuário cria uma impressão favorável do produto na mente dos usuários. Isso aumenta a credibilidade do software e da empresa que o desenvolveu também.

5. Ser desejável: adiciona valor à vida do usuário, ajudando-o a poupar tempo e dinheiro.

6. Ser valioso: é desejável que o usuário receba exatamente o que ele quer.

7. Ser acessível: o usuário recebe toda a informação relevante de forma fácil e rápida.

Para ficar mais claro, é bom ressaltar alguns pontos:

- Experiência do Usuário não é o mesmo que Usabilidade.

- Experiência do usuário e usabilidade se tornou sinônimo, mas esses dois campos são claramente distintos. UX trata-se de como o usuário se sente ao usar uma aplicação, enquanto a usabilidade é sobre a facilidade de uso e da eficiência da interface.

- Não há métrica exata para avaliação de uma UX.

- Você não pode determinar a eficácia de um design de experiência do usuário com base apenas em estatísticas, como exibições de página, taxas de rejeição e taxas de conversão. Nós podemos fazer suposições hipotéticas e podemos pedir aos usuários evidências anedóticas/informais.

- O perfil do usuário é o guia.

- Experiências de usuário serão diferentes entre as aplicações. O que funciona para um perfil de pessoa pode ter o efeito oposto para outro. O perfil do usuário é o guia para o desenvolvimento da UX e, assim, obter o sucesso esperado.

Pense que o tempo é valioso e irreversível. Não é nada legal gastar o tempo do usuário sem que no final ele não se sinta realizado com o que fez. Na verdade, o usuário quer simplesmente se sentir satisfeito e feliz.

*Rodrigo Kono é desenvolvedor no departamento de Gestão de Produtos, na LG Sistemas.