O mercado de pagamentos móveis ainda não atingiu seu pleno potencial, apesar da evolução recente do setor nos últimos dois anos. De acordo com a Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico, o ritmo de aceleração do comércio por meio de dispositivos móveis (como tablets e smartphones) dobrou: passou de 5% em 2011 para 10% em 2012.

Essa expansão se deve ao barateamento da tecnologia e do acesso à banda larga móvel, mas também mostra que o brasileiro está começando a perder o medo de usar estes dispositivos para compras.

Se o cenário é positivo, o que falta então para esse mercado deslanchar de vez?  Um marco regulatório. Ainda que lentamente, estamos caminhando para isso.

No final de 2012, o Ministério das Comunicações, juntamente com a Anatel e o Banco Central formaram um grupo de trabalho com a função de definir as diretrizes regulatórias para os serviços de pagamentos pelo celular.

Sem se aprofundar nos meandros do projeto (afinal poucas informações foram divulgadas até agora), existem alguns pontos que poderiam ajudar a desenvolver o mercado: o estabelecimento do papel dos principais players (bancos, operadoras de celular, cartões, etc), a adoção de alguns padrões tecnológicos e a criação de padrões mínimos de segurança.

Uma iniciativa que pode contribuir para garantir a segurança nas transações móveis e para o sistema como um todo é, por exemplo, a adoção obrigatória do PCI DSS, um selo internacional de segurança para empresas que lidam com dados de cartão de crédito.

Esse selo assegura que são seguidas uma série de normas e processos de segurança. Por outro lado, sua implementação é custosa e demorada, o que pode ser proibitiva para empresas menores.

Outro tema importante é a criação de dois “tipos” de mobile payment. Um mais simples, que utilize um sistema pré-pago e que tenha como objetivo a inclusão bancária e social da população.

E outro modelo mais sofisticado, com a utilização de cartões de crédito e débito e que, geralmente, exigem soluções tecnológicas mais avançadas. São dois mercados distintos e repletos de oportunidades tanto para empresas grandes como para empreendedores.

Justamente por estarmos falando de um mercado que pode atuar em duas realidades brasileiras, o padrão tecnológico a ser escolhido dificilmente será único. Hoje temos diversas tecnologias disponíveis, cada uma com características diferentes e destinadas a nichos específicos.

Por exemplo, o Near Field Communication (NFC) é melhor para compras presenciais, como em restaurantes, que demandam agilidade. Já a URA, o SMS e os aplicativos são melhores para compras remotas, como e-commerce, delivery, etc.

De qualquer forma, este ano deve ser decisivo para o mercado de mobile paymment brasileiro. Assim que as regulamentações forem definidas, tanto as grandes como as pequenas empresas devem se preparar para lançar no mercado novas soluções que facilitem a vida do consumidor de forma a tornar a tecnologia parte integrante de seu cotidiano.

*Felipe Regis Lessa é sócio-diretor de marketing da Pagtel