A incorporação anunciada entre as gigantes do ensino nacional Kroton e Anhanguera cria um conglomerado de mais de 1 milhão de alunos, que possibilitará a partir de 2013 faturamento superior a R$ 4,3 bi.

Essa estratégia, certamente, visa fazer frente à concorrência que se estabelecerá com grandes fundos estrangeiros que estão desembarcando no País na busca de grandes negócios educacionais, como a Apolo Educacional, que apresentou interesse na compra da UNISA e da FMU.

A busca pela sinergia e melhor aproveitamento pelas várias unidades de negócio, assim como do corpo docente em sala de aula, com o objetivo de aumento de receita e manutenção de custos, poderá gerar outras consequências futuras.

A mais relevante delas é a massificação de alunos em sala de aula e redução ou eliminação de cursos em determinadas unidades em que o ticket médio de mensalidade e o ponto de equilíbrio não sejam interessantes para os investidores.

A preocupação do mercado nesse momento é a possibilidade de um monopólio no setor, com poucas unidades de negócio, o que  poderá gerar mais fusões e incorporações de pequenas unidades nos vários estados, em virtude da falta de sustentabilidade em disputar alunos e docentes.

Caso se confirme a estratégia de massificação, os grandes conglomerados poderão inviabilizar as Instituições menores e mesmo cursos que não são alvos de grande interesse.

De outro lado vem a preocupação com a qualidade do ensino.  Há muitas reclamações com relação a excessiva busca de redução de custos e a forma de pagamento de docentes – que representam parcela significativa nesta composição – com diminuição de horas aulas noturnas para evitar adicionais e estímulo à realização de disciplinas online.

O que precisa ser analisado é como será mensurada a qualidade dos cursos diante dos padrões de exigência do Ministério da Educação – MEC, que é rígido na exigência de qualidade minima para autorizações e reconhecimento de cursos, mas permite a abertura deliberada e desnecessária de cursos em Centros Universitários e Universidades, sem autorização.

Nesses casos, somente são reconhecidos quando a primeira turma estiver com pelo menos 75% do curso concluído.

Embora a operação entre as instituições de ensino tenha que ser avaliada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), é muito difícil que seja indeferida. Normalmente, para evitar monopólio ou oligopólio, o órgão determina a venda ou a descontinuidade em determinadas regiões.

Espera-se que com a avaliação do Cade e as análises do MEC no reconhecimento de novos cursos seja apurada a sustentabilidade dessas iniciativas, assim como a qualidade de ensino que será oferecida aos futuros profissionais, para que o País possa ter seu Capital Intelectual reconhecido e preservado.

*Reginaldo Gonçalves é coordenador do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Santa Marcelina - FASM