As escolhas não têm sido mais aleatórias. Cada vez mais, empresas se pautam em projetos que buscam minimizar os impactos ambientais, tanto por este ser um fator estratégico para os negócios quanto por causa da pressão das intensas mudanças pelas quais a sociedade têm passado.

Aquecimento global, fontes alternativas de energia, preservação ambiental e combate ao desperdício são alguns dos grandes temas discutidos, entretanto, algo que o setor produtivo brasileiro ainda conhece pouco e, por isso, não incorpora às suas práticas diárias é o conceito de Green Supply Chain Management (GSCM), ou gestão da cadeia de suprimentos (SCM) verde.

O nome pode parecer complicado, mas o conceito é simples. Desde a produção pela indústria até a compra do produto pelo consumidor final, todos os processos de produção, logística de armazenagem, transporte, faturamento, compra e venda devem ser planejados levando em consideração a sustentabilidade e o combate ao desperdício.

No Brasil, o tema logística e GSCM verde está nas pautas também desde 2011, mas poucas empresas e cidadãos brasileiros têm a plena consciência do impacto de que comprar errado é uma forma de desperdício.

Um número ainda menor consegue ver que sustentabilidade vai além da reutilização da água da chuva, do desligamento das luzes no período da noite ou mesmo da aplicação de recursos da renúncia fiscal em projetos de educação ambiental em escolas de periferia. Precisamos fazer com que todas as empresas brasileiras sejam sustentáveis em seus processos e não apenas em projetos.

E é justamente nisso que o GSCM revela ser uma ferramenta eficaz de garantir a sustentabilidade em toda a cadeia produtiva.

A mitigação dos impactos ambientais provocados pela atividade produtiva não deve ficar restrita, por exemplo, ao uso de biocombustível nas frotas para a redução da emissão de gases poluentes.

Para que o GSCM possa auxiliar de forma efetiva na sustentabilidade das empresas, existe um grande desafio cultural a ser superado.

A maioria das indústrias acredita, por exemplo, que o seu processo de venda é concluído quando as vendas são faturadas e seus produtos deixam seus estoques em direção ao comércio.

Esse é um dos pensamentos mais nocivos para a sustentabilidade da cadeia de suprimentos em qualquer lugar do mundo! Em todas as relações de consumo, a venda só é finalizada quando o produto é adquirido e levado para casa pelo consumidor final.

Deste modo, toda falta de produto na prateleira ou o excesso de estoques causam desequilíbrios e comprometem a sustentabilidade da cadeia de suprimentos.

E isso é cada vez mais frequente e grave no Brasil, que ainda enfrenta grandes barreiras no caminho do crescimento em razão da precariedade da infraestrutura logística de portos, ferrovias e rodovias. Quanto mais adverso o ambiente, mais planejamento e velocidade é preciso ter para ser sustentável e é justamente nesse ponto que o GSCM pode contribuir para mudar essa realidade.

É preciso que as empresas pensem e se organizem de forma sustentável. O desafio no trabalho da gestão da cadeia de suprimentos sustentável é fazer com que todos percebam que a adoção de práticas de preservação ambiental contribui para a melhor eficiência operacional, o que pode levar ao aumento da competitividade e de novas oportunidades de negócios. No fim das contas, a recompensa pode ser verde.

*Ricardo Gonçalves é diretor de marketing e produtos da NeoGrid