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Quantos anos são dez anos?

Rafael Prikladnicki // segunda, 26/08/2013 14:53

O Tecnopuc, Parque Científico e Tecnológico da PUCRS, está completando dez anos de atividades desde a sua inauguração oficial, no dia 25 de Agosto de 2003.

Naquela época, eu concluía meu mestrado na mesma Universidade, explorando uma nova área de pesquisa em Ciência da Computação no Brasil, conhecida como DDS (Desenvolvimento Distribuído de Software). Posso dizer, sem medo de errar, que o início das pesquisas nesta área na PUCRS está integralmente associado ao projeto e à implantação do Tecnopuc.  

E a razão é simples: a Universidade decidiu pela criação do Parque para construir um ambiente de pesquisa e inovação, de classe mundial, baseado na cooperação entre a Universidade, as empresas e o Governo. Naquela época, fortalecia-se uma clara tendência em direção à globalização das operações de pesquisa e desenvolvimento de grandes organizações internacionais da área de Tecnologia da Informação.

Assim, as primeiras e maiores operações de P&D do Tecnopuc (HP, DELL e Tlantic) iniciaram a demandar por projetos na área de DDS por atuarem neste ambiente, interagindo com unidades distribuídas em escala global, nos Estados Unidos, Irlanda, Inglaterra, Índia, China, Rússia e Portugal.

Ter este tipo de ambiente, literalmente do outro lado da rua, é tudo o que um pesquisador precisa para desenvolver pesquisa aplicada. E foi exatamente isto que ocorreu. Com a demanda sendo induzida pelo ambiente criado no Tecnopuc, pesquisadores da Faculdade de Informática (FACIN) da PUCRS iniciaram estudos na área de DDS.

Em 2004, o Grupo de Pesquisa em Desenvolvimento Distribuído de Software (MuNNDoS) foi oficialmente criado e registrado no CNPq. De lá para cá, foram diversas dissertações de mestrado, teses de doutorado, e uma inserção importante nas comunidades científicas nacional e internacional de Engenharia de Software, além de cooperação com diversas empresas, tendo como foco o DDS.

Hoje, olhando para trás, é difícil separar a criação do Tecnopuc da minha formação e desenvolvimento profissional como pesquisador. Quando o Parque ainda era um projeto em fase inicial, em 2001, eu concluía a minha graduação, atuando em um projeto de P&D em parceria com uma das primeiras empresas a se instalar no Parque.

Quando foi inaugurado, em 2003, eu concluía meu mestrado. E quando o Tecnopuc foi ampliado, em 2010, eu concluía o meu doutorado que, assim como o mestrado, foi desenvolvido na área de DDS em parceria com empresas do parque.

Hoje, também olhando para trás, e para o impacto que as pesquisas que conduzimos nesta área tem gerado, só podemos agradecer ao Tecnopuc. Muito do que desenvolvemos, devemos a este ambiente, que foi criado para estimular este tipo de ação.

E assim como este, temos diversos outros exemplos, nas mais variadas áreas de conhecimento. Exemplos que fizeram o Tecnopuc se desenvolver e chegar até aqui. Exemplos que confirmaram a viabilidade do audacioso projeto proposto no final dos anos 90, quando pouco se falava sobre parques científicos e tecnológicos no Brasil.

E agora o Tecnopuc chega aos dez anos de vida. Mas quantos anos são dez anos?

Parece uma pergunta simples. Mas não é. Dez anos representa praticamente toda a minha formação como pesquisador, construída no ambiente do Tecnopuc. Representa centenas de alunos de graduação e pós-graduação interagindo com empresas.

Representa inúmeros projetos de P&D desenvolvidos em colaboração entre a PUCRS e instituições parceiras. Representa qualificação de recursos humanos. Representa a próxima grande invenção. Representa integração, inovação e empreendedorismo.

Representa audácia. Representa visão. Mas representa, principalmente, uma importante contribuição para a história do desenvolvimento científico e tecnológico do País. Que foi construído aqui. Bem pertinho. Do outro lado da rua.

Rafael Prikladnicki é diretor da Agência de Gestão Tecnológica da PUCRS