Faltam profissionais competentes no recrutamento? Foto: BlueSkyImage/Shutterstock.

Vejo que os processos seletivos (com POUCAS exceções) são realizados da mesma forma (ou pior) que eram feito a MUITOS anos atrás, avaliando apenas uma "folha de papel" e não PESSOAS.

Nos processos que tive oportunidade de participar, foram poucos os que encontrei na minha frente entrevistadores ou recrutadores com conhecimento sobre o assunto para qual estavam contratando, para poder avaliar - ou pelo menos entender superficialmente - os requisitos e exigências da vaga que estavam buscando preencher, tirando desta forma do BOM profissional a oportunidade de conversar e expor seus conhecimentos.

É muito mais fácil falar que o mercado está cheio de pessoas "não competentes ou qualificadas", jogando a responsabilidade pela falta de condições de realizar um processo e alcançar o objetivo, para cima dos candidatos.

Nem mesmo se um dia (se um dia isso ocorrer) vier o Facebook, Google, Microsoft, Totvs, SAP, HP, Dell (entre muitas outras de pequeno porte) dizer que faltam profissionais competentes no mercado, vou acreditar que falte pessoas qualificadas para ser contratadas, mas sim:

- Falta de Planejamento para destacar os benefícios para que o candidato queira trabalhar na sua empresa (SE este benefícios realmente existirem, e não estou me referindo ao VT+VR+Seguro+Planos etc. MAS SIM no real benefício da pessoa VIVER durante, pelo menos 8 horas por día, dentro da empresa).

- Falta de organização (para TER planejamento interno possibilitando ao profisisonal poder atuar/trabalhar tirando o máximo de sua produtividade e de forma que se sinta produtivo, e NÃO apenas processos burocratizados, engessados, ineficientes e que não refletem a realidade da empresa e muito menos do mercado);

- Falta de recursos para criar propostas atraentes (NÃO só financeiras);

- Falta de pessoas qualificadas internamente para realizar um processo seletivo eficiente, buscando não apenas currículos, mas sim pessoas e suas qualidades.

- Imediatismo, com a empresa querendo apenas a pessoa "pronta" e não oferendo condições do profissional se desenvolver na empresa, esquecendo que, quando divulgam "cases de sucesso" em que o estagiário chegou a presidência, ele não entrou presidente.

- Imediatismo 2, impedindo - SIM, impedindo - que o colaborador continue evoluindo profissionalmente durante o período em que está na empresa, se fazendo de injustiçado quando o colaborador precisa estudar ou investir em conhecimento apenas nas suas horas de folga, pois esta pessoa, não sentindo comprometimento/investimento nenhum por parte da empresa, não terá nenhum peso na consciência em partir para outra oportunidade.

Meus sinceros elogios às empresas que levam a sério a PESSOA como parte de seu maior valor/capital. Aos recrutadores COMPETENTES, este texto não é para vocês :)

* Jeferson Batista Sobczack é analista de requisitos da E-Storage. Esse artigo foi publicado inicialmente no LinkedIn.