Não é de agora que ouvimos certos exageros sobre os benefícios da tecnologia SaaS, o já conhecido modelo de software como serviço. Alguns o enxergam como o próximo passo tecnológico que não só tornará obsoletas as demais tecnologias existentes como resolverá um sem número de labirintos digitais da atualidade. Logo no seu surgimento, outros faziam questão de enfatizar a infinidade de recursos que o novo modelo permitia, embora muitos deles não tenham se concretizado ainda.

É claro que essas conclusões não significam que o SaaS não seja uma boa opção, pelo contrário, revela-se um modelo sólido a longo prazo para a implementação de aplicativos. Contudo, está longe de ser uma panacéia para o mercado de softwares.

Com base nessas premissas, é quase automático nos vir a indagação: então por que tanta propaganda em cima do SaaS? Talvez seja pelo fato de ser um dos processos-chave de valor que os fornecedores de software têm a oferecer às empresas como forma de enriquecer as alternativas a seus clientes, como por exemplo sobre como comprar, implementar, executar e manter seus sistemas de TI.

Soluções disponíveis integralmente em SaaS são ainda mais eficazes, ao passo que garantem múltiplas ofertas aos compradores. Vejamos as opções:

- In Situ: licença permanente rodada pelo cliente diretamente no website.

- Assinatura: o cliente torna-se assinante para o uso “on demand”.

- Licença por hospedagem: software tradicional mais a licença por hospedagem SaaS.

- Hospedagem dedicada: serviços de hosting em uma única instância para clientes individuais, cuja complexidade das situações não enseja múltiplos usuários.

- Serviços gerenciais de aplicação: terceirização integral de serviços.

Diante disso, as empresas deveriam considerar as seguintes questões no momento de decisão da compra de um software:

Qual são as circunstâncias atuais?
Tais circunstâncias serão alteradas nos próximos cinco anos?
Quanto da infraestrutura necessária de TI você dispõe ou almeja?
Possui liquidez para gastos de compra?
Uma compra operacional não seria mais conveniente?
Como a situação econômica atual afeta seu critério de compra?
Depois de feita a escolha e as circunstâncias se alterarem, é possível substitui-la por outra sem que haja a necessidade de reimplementar um sistema diferente?
A ideia é mesmo fixar-se num determinado modelo ou selecionar uma opção mais flexível e passível de mudanças?

Feita a auto-inquirição, o empresário terá mais condições de analisar a viabilidade ou não de usufruir da tecnologia SaaS, bem como de suas opções de compra e implementação estendidas. Ou ainda, poderão perceber se estão devidamente aptos para oferecer a seus clientes o direito de escolha, livrando-os da rigidez de um sistema único, de formato específico e implementação pré-estabelecida.

* Celso Tomé Rosa é vice-presidente da Infor Brasil.