Está prestes a entrar em órbita o satélite de maior detalhamento já enviado ao espaço pelo ser humano. O WorldView-2, que terá resolução espacial de apenas 46 centímetros, já se encontra na base aérea de Vandenberg, na Califórnia, com lançamento previsto para o dia 6 de outubro.

Além do alto poder de detalhamento, a capacidade multiespectral do WorldView-2, com oito bandas, permitirá a extração de maior quantidade de informações das imagens, tanto no meio rural como urbano.

Novidades como esta surgem cada vez mais rápido. De olho em um mercado que já ultrapassou as fronteiras do uso profissional e corporativo, os fornecedores de dados geoespaciais desenvolvem novas plataformas, sensores e formas de disponibilização das informações para um público ávido por imagens.

Definitivamente, o sensoriamento remoto saiu do gueto dos profissionais de geoprocessamento e virou mainstream, com aplicações tanto para pequenas e médias empresas como para o cotidiano do cidadão comum.

Os sensores óticos, baseados na recepção de radiação eletromagnética refletida pela superfície, são os que mais crescem em quantidade de lançamentos, qualidade dos dados e formas alternativas de acesso às informações. Dentre os principais satélites com sensores óticos, usados para mapeamento, estão Spot, Ikonos, QuickBird, WorldView, GeoEye e RapidEye.

Com pouco mais de 100 dias de operação, as imagens da constelação de cinco satélites RapidEye já cobrem cerca de um quarto da área terrestre do planeta, o que representa mais de 69 milhões de quilômetros quadrados. No Brasil, a constelação RapidEye já cobriu 100% do território do Estado de São Paulo com imagens de 2009, evidenciando a sua alta capacidade na produção de dados geoespaciais.

O programa Cbers, uma cooperação internacional entre Brasil e China, é o maior exemplo de como a tecnologia de sensoriamento remoto pode auxiliar no crescimento sustentável de países em desenvolvimento. Com a parceria, o Brasil tornou-se o campeão mundial em distribuição de imagens de satélites, com o fornecimento de produtos totalmente gratuitos dos satélites Cbers. Devido à sua média resolução espacial, em torno de 20 metros, as imagens do Cbers são indicadas para as áreas de agronegócio e meio ambiente.

Os sensores radar são denominados "ativos" por enviarem uma radiação à superfície e receberem o eco para realizar mapeamentos. Dentre os principais sensores radar embarcados em satélites estão o alemão TerraSAR-X, o italiano Cosmo-Skymed, o canadense Radarsat e o japonês Alos.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tem um acordo de cooperação científica para a distribuição das imagens Alos para os órgãos do Governo Federal, instituições de pesquisa e demais usuários não comerciais no país, fornecendo assim subsídios para estudos e acesso a imagens obtidas por radar.

Novos modelos de negócios

Além de novidades em sensores, as empresas que operam os satélites estão inovando na forma de entregar os dados geoespaciais. Enquanto no passado o modelo de negócios era baseado exclusivamente na aquisição de imagens por quilômetro quadrado, agora há a possibilidade de assinar serviços de acesso online aos dados, como por exemplo o SpotCana e o ImageConnect.

Serviços desse tipo têm como diferencial a centralização do repositório de dados, acesso online através de softwares de geoprocessamento e integração com portais web. O modo de apresentação dos dados também está mudando, de 2D para 3D, com a adição de novas técnicas de modelagem tridimensional.

Até 2013, a previsão é que sejam lançados mais de 30 satélites de observação da Terra, de baixa, média ou alta resolução espacial. Eles serão somados aos mais de 50 que já estão em funcionamento, nas mais diversas órbitas e resoluções.

Prepare-se para uma avalanche de geoinformação.

Emerson Zanon Granemann é engenheiro Cartógrafo, diretor e publisher da Editora MundoGEO.