Muitos executivos de TI me perguntam se esta crescente onda de Cloud Computing não é apenas mais um "hype" ou fenômeno de curto prazo, assim como tantos outros que já passaram pelo mercado de TI e acabaram caindo no esquecimento.

Confesso que estas são perguntas pertinentes e justas, principalmente quando provindas daqueles que já vivenciaram na pele episódios como o do Bug do Milênio e a explosão da bolha da Internet, em meados de 2000. Posso afirmar, porém, que com base em diversas análises e pesquisas que temos realizado atualmente, a IDC acredita que, diferentemente de outros fenômenos passados, os pilares que suportam os conceitos hoje chamados de Cloud Computing e Cloud Services são bastante sólidos e se baseiam em demandas e necessidades já antigas e bastante latentes do mercado.

Adicionalmente, convergem para um interesse comum tanto de fornecedores como de consumidores: a necessidade de redesenhar os ambientes de TI para que possam ser mais flexíveis, baratos e adaptáveis às constantes mudanças do mercado.

De maneira geral, a IDC define Cloud Computing como sendo um ambiente de TI flexível composto por servidores, armazenamento, rede e softwares que permitem a alocação dinâmica e o compartilhamento de recursos a fim de possibilitar a entrega de aplicações e softwares de gestão de TI como serviços (Cloud Services) por meio de redes públicas, privadas ou mistas.

A principal razão que nos leva a crer que o conceito de Cloud não é apenas mais um "hype" é o fato de que, além de já possuirmos a tecnologia disponível para montar e disponibilizar tal ambiente, vivenciamos um período em que a somatória de diferentes forças de mercado (principalmente do lado da demanda) irão naturalmente acelerar as empresas para a adoção de conceitos como este. Dentre elas, podemos destacar:

1) Demanda por maior flexibilidade da infraestrutura e aplicações de TI: por meio da possibilidade de aquisição modular e alocação dinâmica, inteligente e melhor gerenciável de recursos, que passam a ser mais facilmente criados e compartilhados.

2) Aumento da velocidade de resposta às demandas do mercado: por meio de sistemas de gestão (ERP), relacionamento (CRM), inteligência (BI), e outros, capazes de serem rapidamente adquiridos, implementados, atualizados e acessados remotamente.

3) Redução de custo e otimização de fluxo de caixa: por meio do pagamento do uso da infraestrutura e dos serviços de acordo com o consumo, número de usuários e periodicidade mensal.

Em pesquisa com 244 empresas usuárias de tecnologia, pedimos aos gerentes e diretores de TI que classificassem numa escala de 1 (menos importante) e 5 (mais importante) os benefícios relacionados ao modelo denominado Cloud Computing. O gráfico abaixo mostra a frequência de respostas 4 e 5 distribuídas entre os diferentes benefícios:























Mas no futuro, tudo será baseado em Cloud? Muito provavelmente não. O cenário mais provável é que se presencie, pelo menos no decorrer dos próximos 10 anos, o desenvolvimento de ofertas e soluções híbridas, que poderão ser utilizadas tanto de maneira tradicional (como conhecemos hoje), mas que também serão capazes de se comunicarem com a grande nuvem, adaptando-se ao modelo Cloud.

Empresas continuarão tendo seus próprios ambientes de TI, entretanto, passarão a consumir regularmente ou pontualmente aplicações e outros serviços (como storage e processamento) por meio da rede, e que serão ofertados em sua maioria, por provedores de serviços de Datacenter especializados. Um dos principais benefícios deste novo modelo é a redução significativa no tempo de implementação de novos sistemas e otimização dos custos.
 
Por outro lado, não é surpresa que muitos ainda são os desafios e dúvidas com relação a este novo modelo. Segurança, preocupação com cumprimento de níveis de serviço (SLAs) e disponibilidade dos sistemas estão entre os principais. Dentro desta mesma pesquisa apresentada anteriormente, pedimos aos respondentes que classificassem entre 1(nada significante) e 5 (muito significante) os desafios percebidos relacionados ao modelo de Cloud. O gráfico abaixo apresenta a freqüência de respostas 4 e 5 para os diferentes aspectos:























* Reinaldo Roveri é Research manager da IDC.

** Os gráficos podem ser conferidos em melhor resolução nas fotos anexas.

*** Com o propósito de discutir tendências, benefícios, desafios e futuro do Cloud Computing no Brasil e no mundo, a IDC, em parceria com a Now!Digital realiza na quarta-feira, 23, uma conferência virtual sobre o tema. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas pelo e-mail conferencias@idcbrasil.com.br.