Há cinco anos, um jovem programador e empresário, David Heinemeier Hansson estava apresentando seu projeto no Fórum Internacional de Software Livre. Menos de 20 pessoas estavam presentes. Alguns meses após a apresentação, o projeto chegou à versão 1.0. Naquele mesmo ano, David ganhou o prêmio de Hacker do ano na OSCON e várias aplicações começaram a ser desenvolvidas com ele.

Voltamos a 2010. O Ruby on Rails, projeto de David, está na versão 3.0 beta4. Em alguns meses sai definitivamente a versão 3. Nestes anos, nomes de peso da indústria de software americana aderiram a ele. Centenas de milhares de livros foram vendidos. Muitos sites e produtos de grande porte foram lançados: Twitter, Yellow Pages, Hulu e Scribd. No Brasil, grandes empresas como Locaweb e Globo.com entraram de cabeça. Mailee.me, BlogBlogs, Brasigo, Ikwa, Mapia e TáTri são alguns dos produtos desenvolvidos com ele por startups brasileiras. Centenas de eventos de comunidades pipocam pelo mundo. No Brasil, temos a RubyConf Latin América em outubro em São Paulo, e no nosso Rio Grande teremos a 2a edição do já consagrado RS on Rails, que ocorrerá no dia 21 de Agosto na PUC.

O framework, que já era inovador em sua concepção, evoluiu como nenhum outro. Além de muito mais rápido e flexível, na versão 3 o Rails já conta com robustos sistemas de segurança, rotas, internacionalização, abstração de banco de dados, ajax, web services com REST, sem falar na suas poderosas ferramentas de testes e garantia de qualidade que todos andam tentando copiar por aí. JRuby e IronRuby colocaram Ruby dentro dos ambientes Java e .Net e a própria linguagem chegou à versão 1.9 com novidades e grandes ganhos de performance. Enquanto a internet evolui cada vez mais rápido, a comunidade Ruby prova a cada dia que é capaz de acompanhar os novos cenários, e com folga.

Além da questão técnica, a comunidade está mais madura e focada em gerar valor de verdade aos negócios. O Rails saiu de um projeto comercial, o Basecamp, e todos os projetos giram em torno do Github, outro serviço pago. Rails e a sua comunidade provaram nestes 5 anos que software livre, apesar do que muitos empresários ainda pensam, não é sinônimo de socialismo. Muito pelo contrário, mostraram que é possível ter lucro e gerar valor colaborando, dividindo conhecimento e, assim, promovendo vantagens para toda a sociedade.

Se você é empresário e ainda é cético, leia os trabalhos de Martin Fowler sobre o uso de Ruby e Rails na Thoughtworks ou os livros de Bruce Tate. Se você é programador e quer saber por que deve aprender Rails, dê uma olhada no código, experimente um pouco e veja como isso será revelador. Se a sua preocupação é emprego e salário, olhe para o lado e veja como cada vez mais e mais empresas procuram pessoas com conhecimentos em Rails. Na pior das hipóteses, aprender Ruby e Rails lhe tornará um programador melhor na sua linguagem atual.

* Juan Maiz é sócio da Softa, empresa focada em desenvolvimento de produtos web2.0, trabalhando com tecnologias abertas como o Ruby on Rails e métodos ágeis como XP e Scrum