O mercado tem cobrado de forma unânime ao longo dos últimos anos o já famoso alinhamento de TI com o Negócio, mas será que este é de fato o conflito central de falta de alinhamento acerca das nossas áreas de TI?

Para estranheza geral, comumente verificamos que já existe o alinhamento entre as áreas de negócio das companhias e seus respectivos CIOs (Chief Information Officer). Mas, quando mergulhamos na TI, verificamos que existem percepções díspares entre seus líderes táticos sobre o real posicionamento frente à corporação.

Esta camada hierárquica tem como principal função exercer o gerenciamento dos recursos humanos da TI, definindo e avaliando a forma de atuação das equipes e determinando o modus operandi das áreas de TI.

Por simples questão de falta de tempo ou até de distanciamento das definições que ocorrem no C-Level das organizações, corremos o risco de termos o time operacional seguindo as diretrizes de uma camada tática que nem sempre está alinhada com os conceitos implícitos estabelecidos entre o Negócio e o CIO.

Desta forma não teremos, em momento algum, o resultado esperado pelo Negócio sobre uma TI que suporte seus processos dentro da previsibilidade de orçamento, presença tecnológica e acordos de níveis de serviços. Para auxiliar neste necessário entendimento, podemos classificar o papel esperado da TI em quatro diferentes padrões:
 
Commodity – O direcionador de negócios é o controle de gastos. A corporação enxerga a TI como um provedor de capacidades tecnológicas e o investimento realizado é baseado em projetos.

Utility - O direcionador para TI é baseado em unidades de medida de negócios. A visão da corporação é baseada na eficiência organizacional e a estratégia de investimentos é centrada em gerenciamento do portfólio das aplicações com processos.
 
Partner – O direcionador para a TI é o market share. A visão da corporação sobre TI está alinhada com a estratégia do negócio e a de investimentos é focada no gerenciamento do portfólio de negócios.

Enabler - O direcionador de negócios é a liderança na sua indústria. A visão da corporação sobre a TI é de habilitadora de sua visão e a estratégia de investimentos é focada em inovação.

É comum encontrarmos silos gerenciados de forma a se posicionarem como Enablers, enquanto outras divisões,  da mesma TI, entregam níveis de serviços Commodities aos seus usuários. Uma consulta mais acurada à linha executiva da companhia poderia indicar que o comportamento necessário àquela indústria jamais poderia passar da condição de Utility, respeitando os limites de investimentos saudáveis à companhia naquele momento em seu mercado.

É imperativo classificar o papel esperado da TI de forma clara, para então realizar a tradução explícita a todos os níveis hierárquicos, garantindo assim a harmonia necessária ao fornecimento de serviços de TI ao negócio. Quando reclamamos da famosa falta de alinhamento de TI ao Negócio, muitas vezes acabamos por constatar  que o problema está, de fato, na falta de alinhamento da TI com a própria TI. Isso nos passa despercebido, mas se configura como uma excelente oportunidade de melhoria.

*Marcelo Piassarollo é gerente do time de consultoria em estratégia de tecnologia da IBM Brasil