As expectativas para a América Latina e o Caribe são positivas em 2011, depois de um crescimento médio, segundo o Banco Mundial (BID), de 5,7% em 2010.

No entanto, causa preocupação o discurso populista e pouco responsável de alguns líderes regionais e o ambiente jurídico pouco estável de alguns países. Isto afasta investidores e dificulta a solução de problemas, como a pobreza de parcelas significativas da população.

As soluções exigem bons planos de governo para a gestão dos insuficientes recursos.

A experiência do Bolsa Família no Brasil, com algumas correções, pode servir de subsídio.

O Brasil, maior economia da região, tem novo governo, com maior discrição nos seus atos, menos proselitismo político e maior preocupação com a capacidade de geração de caixa do país.

A inflação em 2010 foi a maior em seis anos, chegando 5,9%. Em 2011, deverá permanecer em 5%.

O PIB chegou a 7,5% e a taxa de desemprego, a 6%. Em 2011, o PIB deverá ser de 4,5% e o desemprego deverá crescer.

O real está muito valorizado, o que estimula a importação e compromete o equilíbrio da balança de pagamentos.

O governo luta para conter os gastos públicos.

Existe a necessidade de se investir na Copa do Mundo em 2014 e Olimpíada de 2016, sem descuidar das obras emergenciais de portos, aeroportos, estradas e as suscitadas pelas grandes chuvas.

Nesse contexto, dificilmente o novo governo vai dispor de recursos da Petrobras, BNDES, Fundos Estatais de Pensão e ELETROBRAS para atender aos reclamos de empreiteiras e países vizinhos por aportes financeiros.

Os títulos da dívida do Brasil continuam pagando os maiores juros do mercado. Ao final de 2011, deverão chegar próximos a 12,50% ao ano, consumindo recursos necessários para a saúde, educação e infraestrutura. Esse é o cenário.

O PIB da Argentina, em 2010, foi de 8,4%, resultado que esconde problemas estruturais de governabilidade. Há elevado e contínuo aumento da inflação.

A consultoria Ecolatina estima a inflação real anual média, entre 2005 e 2009, em 17,8%, batendo em 14% em 2010. Para 2011 estima-se 18,5%. Isto agrava seus problemas com a banca internacional.

Depois de um calote histórico, somente agora conseguiu renovar seu contrato com o FMI.

O governo vem se apoiando nas reservas dos fundos de pensão estatizados, enquanto enfrenta feroz oposição no campo o que tem trazido queda sistemática da participação do setor nas exportações.

Para 2011, o país encontra-se sem um orçamento aprovado, o que levará a presidente a governar por decretos.

Com esses problemas se acumulando, em outubro de 2011 haverá eleição presidencial.

Queda nos investimentos, inflação, desequilíbrio no câmbio, desemprego, problemas crônicos nas áreas de energia e comunicações e miséria parecem compor o cenário argentino para 2011.

O livre comércio com o Brasil sempre estará na pauta (desde, é claro, que os hermanos possam sobretaxar nossos produtos...). Já são mais de 250.

No campeonato mundial da inflação o segundo lugar pertence à Venezuela do polêmico Hugo Chávez. O câmbio fixo de 2,15 bolivares desde 2005 foi para 4,3 bolivares por dólar em janeiro.

Com isso, analistas preveem aumento da inflação para 30% em 2011.

O Peru apresenta crescimento sustentável há oito anos. Em 2010, segundo o FMI, obteve a maior taxa de expansão na América Latina (8,3%). Nos últimos anos, assinou tratados de livre comércio com EUA, China, União Européia, Japão e Coréia do Sul.

Isto facilita a importação de insumos sem onerar demasiadamente os produtos finais. Sua inflação em 2009 foi de 2,9% e em 2010 reduziu-se para 1,7%. As commodities também fazem o contraponto em sua economia.

O México e os EUA têm suas economias bastante interligadas por conta do NAFTA (Acordo de Livre Comércio da América do Norte). A economia norte-americana na UTI tem forte impacto negativo em seu aliado comercial.

A crise tem sido agravada por questões ligadas à imigração ilegal e aos cartéis da droga.

A gripe H1N1 também deixou sua marca. A economia formal resiste bem e tem na indústria automobilística seu referencial maior.

A taxa inflacionária em 2010 ficou em 4,2%%.

O Chile sempre foi um exemplo de crescimento e, mais recentemente, de uma sociedade democrática.

Sua inflação nos dois últimos anos estabilizou no patamar de 1,7%.

Sem sustos na área política, consolidou as finanças públicas, cuidou da saúde da população e equacionou a questão previdenciária, a partir da qual criou um dos maiores colchões de financiamento do seu crescimento.

A brilhante trajetória foi interrompida pelo terremoto de fevereiro de 2010, que reduziu em 30% o crescimento país. Este ano será de continuidade da reconstrução.

O Paraguai, graças à agricultura e ao ativo comércio com o nosso país, cresceu 9,7%.

Ganhos adicionais com a venda de energia para o Brasil tem ajudado sobremaneira.

Porém, as questões sociais, o contrabando, o narcotráfico e problemas fundiários ligados aos brasiguaios permitem antever sérios enfrentamentos a qualquer momento. 

O Uruguai cresceu 9% em 2010. Sua baixa densidade populacional, abertura para operação de “off-shore”, uma indústria turística bem estabelecida e uma atividade rural intensa garantem o bom momento de sua economia.

Segundo o BID, 31,9% da população na área da América Latina e Caribe viviam abaixo da linha de pobreza em 2010.

Este percentual reduziu-se em 1,2% em relação a 2009, mas 180 milhões de cidadãos na região ainda vivem em situação de extrema penúria.

O homem mais sábio, poderoso e rico que já existiu foi Salomão.

Quando estava para assumir suas funções como governante máximo do povo judeu, entrou em concerto com Deus e lhe pediu apenas uma coisa, sabedoria.

Deus tocado pelo seu gesto e humildade cobriu-lhe e ao seu povo de riquezas materiais e espirituais. Parece que na América Latina nossos governantes dispensaram essa ajuda.

Devem sentir-se superiores a tudo e a todos nos quesitos da governabilidade.

*Carlos Stempniewski é consultor e professor de economia e política das Faculdades Integradas Rio Branco.