A maior empresa de distribuição de filmes online do mundo, a americana Netflix, deve desembarcar no Brasil em breve – os rumores são para setembro deste ano.

A Netflix deve fechar 2011 com uma base de 25 milhões de assinantes.

Em pouco tempo, se tornou a maior distribuidora online de filmes nos Estados Unidos, fazendo sucumbir sua competidora, a Blockbuster americana.

De acordo com o relatório da Sandvine, a Netflix representa hoje 29,7% de todo o tráfego de streaming nos Estados Unidos, superando o site de compartilhamento BitTorrent (10,37%) e o YouTube (9,85%).

O estudo estima que a categoria de streaming de conteúdo de entretenimento representará de 55% a 60% de todo o tráfego na internet até o final de 2011. E ela está vindo para o Brasil.

O que devemos esperar?

O primeiro sentimento das empresas que estão operando e apostando no mercado de VOD (vídeo on demand) pode ser de que terão de batalhar contra um Golias, e a luta será difícil. Mas não é bem assim.

O grande desafio que temos hoje no Brasil não é a competição entre as empresas que oferecem VOD.

Nossa primeira batalha, na verdade, será com o consumidor e as operadoras de banda larga – e nesta luta, a Netflix é aliada.

Explico. Operando no mercado de distribuição digital de vídeos há cinco anos, os maiores desafios que temos enfrentado são comunicar para o consumidor que o serviço existe e que ele pode utilizá-lo com segurança, criar o hábito de consumo de conteúdo digital pago e infraestrutura ruim de banda larga.

Nestes três pontos abordados, a Netflix só virá para agregar.

Ela deverá pousar no Brasil com um orçamento de marketing gigante, para criar um posicionamento no mercado.

Comunicará não somente a marca, mas, principalmente, a possibilidade do usuário assistir o que quiser e a hora que desejar, ou seja, o vídeo sob demanda.

Uma vez que o usuário seja impactado com esta possibilidade, começará a utilizá-lo e criará um novo hábito de consumo.

Passará a conhecer o VOD e a ser usuário deste serviço. Hoje, no Brasil, poucas pessoas sabem que o VOD está disponível por aqui desde 2008.

Neste ponto, enfrentaremos um novo, porém conhecido, problema: nossa infraestrutura de conectividade.

Nossa banda larga é muito ruim. Com exceção de alguns serviços em grandes cidades, a internet é precária.

As operadoras garantem apenas os tais 10% da banda contratada, ou seja, se você contrata um link de 1Mbps, a operadora é obrigada a te entregar, por contrato, apenas 100Kbps, e assim não dá para assistir vídeo na internet.

O pressuposto do VOD é entregar o vídeo com alta qualidade.

Em alguns casos, em alta definição.

Para isto, é necessário ter uma banda real superior a 2Mbps.

Isto seria possível contratando um link de 20Mpbs, o que não é usual.

Com a chegada de um grande player, como a Netflix, e com o aumento no número de usuários, que pagarão e irão querer consumir os vídeos, haverá uma busca por serviços de melhor qualidade.

As reclamações aumentarão muito e a operadora que oferecer o melhor serviço conseguirá reter e trazer novos clientes para sua base. Porém, será necessário investimento nas operações de infraestrutura para melhorar o nível do serviço.

Welcome Netflix! Você fará grandes investimentos em marketing para comunicar um serviço novo e pouco conhecido, isto criará um novo hábito de consumo e um novo mercado emergirá.

As operadoras de banda larga serão obrigadas a melhorar seus serviços investindo em infraestrutura.

Tudo bem que você poderá pegar uma boa fatia no mercado, mas às vezes “é melhor ser rabo de leão do que cabeça de rato” – melhor ter um percentual de alguma coisa do que 100% de nada

*Marcelo Spinassé é CEO da Truetech