Para ser notícia é preciso, primeiro, entender o que é notícia e, principalmente, o que não é. Empresas que têm assessoria de imprensa contam com o auxílio de profissionais para fazer esta triagem e entregar aos jornalistas pautas certeiras, que trarão publicações positivas e visibilidade à marca. Porém, mesmo para os assessores é trabalhoso e, muitas vezes, difícil separar os assuntos de uma empresa e definir a melhor forma de divulga-los.

Primeiramente, vamos entender que nem toda divulgação precisa ser para imprensa. Há muitos assuntos no cotidiano de uma empresa, e há várias formas de trabalha-los para os públicos certos. Muitas vezes, o resultado será muito mais satisfatório ao divulgar uma pauta internamente, para colaboradores, parceiros, prospects, do que insistir em envia-la para a mídia.

O que difere uma pauta para imprensa de outra de valor interno é o interesse público. Pense – isso interessa, será novo e útil para o grande público? Se sim, é notícia. Se não, não.

Para ser notícia, é preciso que o fato apresente atualidade, novidade, ineditismo, originalidade. Além disso, que tenha precisão de informação.

Para dar exemplos, alguns temas que reúnem estas características e costumam ser notícia sobre o mundo corporativo são: fusões e aquisições, lançamento de produtos ou serviços, contratação de executivos, anúncio de novas parcerias com fabricantes, mudanças organizacionais (novos modelos de gestão, mudança do regime societário da empresa etc), vagas em aberto, cases de sucesso, premiações e reconhecimentos, cursos, treinamentos e eventos abertos ao público, anúncios de expansão da estrutura (nova fábrica, nova filial, novo escritório), balanço financeiro.

Ainda assim, há critérios a atender em cada um destes temas para que tenham cunho noticioso. O balanço financeiro, por exemplo: tem que conter números. Parece óbvio dizer isso, mas é notória a quantidade de textos de balanço que chegam às caixas de e-mail dos jornalistas informando que a empresa X cresceu “significativamente” e teve faturamento acima do esperado no ano anterior, sem mencionar o valor faturado, nem o percentual crescido. Ou simplesmente informando o percentual de expansão, sem detalhar o quanto faturou no exercício anterior. Vamos entender que crescer 2% ou 100% pode ser muito ou pouco, depende de sobre quanto. Balanços sem as informações numéricas não são notícia.

Eventos, treinamentos, cursos: para serem notícia, em primeiro lugar, têm de ser abertos ao público. Aquele evento para parceiros, funcionários ou outros públicos fechados da empresa não entra em mídia alguma.

Anúncios de expansão da estrutura precisam trazer algo novo. Assim, se a companhia está abrindo uma nova filial, é provável que se consiga noticiar este fato, porém se estiver somente ampliando sua sede, fica mais difícil – neste caso, será notícia se a ampliação for realmente significativa e tivermos números que saltem aos olhos sobre incremento do time, da estrutura, metas de crescimento e afins.

Os cases são outro exemplo bom. Um case é sempre notícia? Se o projeto realizado for recente (entenda-se, no máximo, um ano de implantação da solução), se o cliente falar e, principalmente, se fornecedor e cliente derem dados mensuráveis sobre os benefícios trazidos, que permitam enxergar a mudança de cenário trazida pelo projeto realizado, então sim. Se não obedecer a estes critérios, o case é bom para o site da empresa, para seus materiais comerciais, mas não para a imprensa.

E o que, definitivamente, não é notícia?

Aniversários. A comemoração é muito importante para a empresa e seu público interno, clientes e parceiros, mas é irrelevante para a imprensa divulgar que a companhia está completando X anos. A única forma de obter alguma publicação deste tema é relacioná-lo com um “gancho” melhor para a mídia. Por exemplo: XYZ completa 30 anos com faturamento de R$ 1 bilhão.

Ações sociais de pequeno porte. Se a empresa fundou uma entidade de apoio a crianças carentes, é notícia, mas se fez uma campanha do agasalho, não. Deu para entender a proporção?

Projetos antigos. Como já referi sobre os cases, por mais que o cliente seja a maior empresa do mundo, se o projeto não tiver sido realizado recentemente, a notícia caiu.

Renovação de parcerias. Se a empresa já trabalha com um fabricante e renovou a aliança, isto não é notícia. Notícia é parceria nova ou expansão significativa – como entrada de novos produtos no portfólio, por exemplo.

Upgrade de versões de produtos. Podem até ser notícia, em veículos muito específicos, mas a maior chance é que não sejam. Notícia mesmo é o lançamento de uma solução ou serviço novo.

Novas funcionalidades de software. Serão notícia se forem mega impactantes, um novo módulo para nicho específico, uma funcionalidade que surge para resolver uma demanda do mercado que ninguém sanou até agora. Do contrário, não têm força na mídia.

É importante entender estas diferenças para não se frustrar. Quando seu assessor explicar que determinado assunto não cabe para a imprensa, acredite nele e siga suas indicações. Ele estudou e trabalhou para orienta-lo sobre a melhor forma de trabalhar cada tema. O mais importante é levar a mensagem certa, pelo meio mais correto, para o público certo, e a assessoria saberá indicar este caminho. Confie.