Imitadores do rapper coreano PSY na Campus Party. Foto: Camila Cunha/indicefoto

Atenção você que não filtra o que publica em suas redes sociais: especialistas afirmam que os recrutadores estão cada vez mais atentos ao que os candidatos à uma vaga disseminam pela internet.

Na Campus Party, representantes das redes e buscadores LinkedIn, Catho, Vagas e Trampos ofereceram dicas de como se portar nas ferramentas.

Luis Testa, que tem passagens pelo marketing da Ericsson, do Vagas Tecnologia e atualmente ocupa o cargo no Catho, diz que o incessantemente as pessoas estão fazendo propaganda pessoal nas redes sociais, mas ainda o currículo é mais relevante para um avaliador.

“Sempre é possível saber quem está gostando ou não de um trabalho e quem odeia o chefe através de uma checagem no Facebook. Podem ser opiniões subjetivas, mas tem como reconhecer”, aponta.

E, hipoteticamente, se você avisou que estava doente, mas não resistiu à um check-in do Foursquare na Praia Grande? Fernanda Ferreira, estrategista de comunicação do site Vagas avisa que a mentira é o pior erro.

“O setor de recursos humanos sempre é instruído a dar um feedback nestes casos e tentar entender porque da mentira. Mas dificilmente a resolução será a demissão”, explica.

Para ela, o cuidado com o que se compartilha nas redes sociais também não deve virar uma paranoia. A dica constante dos especialistas é ter bom senso para que o conteúdo não se volte contra você.

Tiago Yonamine, fundador e editor do Trampos.co, acredita que os contratantes pesquisam as contas dos interessados apenas depois de um filtro inicial. No dilema de iniciar uma convivência com colegas e chefes nas redes sociais, ele indica que a melhor opção é ter dois perfis.

“Se você realmente precisa ter essas pessoas em seus contatos, é melhor separá-las em um perfil alternativo e, no outro, onde relaciona-se com seus amigos, pode postar o que bem entender”, sugere.

O responsável pelo marketing das Soluções de Talentos do LinkedIn, Bernardo Brandão, crê que o mercado aquecido e a briga agressiva por talentos não permitem que os recrutadores tenham como prioridade a checagem.

Seguindo o propósito do LinkedIn, Brandão aponta que a rede está dividida em dois tipos de usuários: os passivos e os ativos. Os passivos apenas criam uma conta para manter conexões, já os ativos buscam fazer atualizações e um uso estratégico da rede.

“Atualmente, os recrutadores também têm a possibilidade de engajar estes talentos, que nem sempre estão em busca de um novo emprego, quando enxergam suas capacidades através da identidade criada na internet”, revela.

Com números, Testa corrobora com esse conceito. Ele lembra que em pesquisa de outubro de 2012, a ComScore constatou que de 53 milhões de visitantes na internet naquele mês pelo menos um terço acessou algum site relacionado à oportunidades.

“Temos um mercado amadurecido em questão de carreira. Os candidatos já não se acomodam, estão sempre atualizando seus currículos. Vemos que a procura não acontece apenas na hora do desemprego. Essa preocupação é interessante porque gera uma mão de obra melhor”, afirma.

*Juliana de Brito cobre a Campus Party Brasil 6, em São Paulo.