Empresas de TI querem mais negros nas suas equipes. Foto: Pixabay.

O Google abriu no Brasil um processo seletivo para estagiários focado na atração de estudantes negros com 20 vagas em São Paulo.

O programa terá duração de dois anos e os aprovados vão atuar em áreas como vendas, marketing, recursos humanos, financeiro, entre outras.

A iniciativa será conduzida pela Empodera, uma startup de recursos humanos carioca especializada em processos seletivos com um viés de inclusão, com clientes como Souza Cruz, Bayer e Grupo Boticário.

O Google fez alterações na sua política de RH para realizar o programa, como retirar a  exigência de inglês da lista de pré-requisitos. 

Os estagiários vão poder fazer um curso intensivo de inglês dentro do escritório do Google, e também vão contar com uma rede de suporte de funcionários da empresa que darão coaching e mentoria, além de ajudar no desenvolvimento de habilidades profissionais.

À Exame, o Google disse que embora o foco seja a atração de negros, qualquer residente em São Paulo pode aplicar para a seleção (o que, vamos combinar, é uma manobra meio desajeitada para não assumir totalmente a conotação racial do programa).

A preocupação pela diversidade racial do quadro de colaboradores, uma discussão frequente entre as grandes empresas de tecnologia nos Estados Unidos, tem se tornado um tema mais frequente também no Brasil, depois que programas para inclusão de mulheres e gays se tornaram mais comuns.

Na maior parte dos casos, a pauta está sendo puxada como parte da agenda de responsabilidade social das subsidiárias locais de multinacionais, como o Google.

Quem está dando mais ênfase ao assunto pelo lado racial é a ThoughtWorks, uma empresa multinacional de desenvolvimento de software. 

Em março, ela abriu um processo seletivo especial para contratar profissionais negros, batizado de Enegrecer Recrutamento Expresso, para os quatro escritórios da consultoria no Brasil, localizados em Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e São Paulo.

Em paralelo, a ThoughtWorks organizou um evento sobre com conversas e palestras de negros sobre tecnologia, diversidade e outros temas, organizados em parceria com uma ONG. 

A SAP, uma empresa muito mais conservadora que a ThoughtWorks, entrou em 2017 na Coalizão Empresarial a favor da Equidade Racial e de Gênero, um movimento organizado pelo Instituto Ethos com o objetivo de aumentar a participação de mulheres e negros em cargos executivos de grandes empresas do país.

No final do ano passado, foi a vez da Vivo entrar no grupo, que tem entre seus 30 integrantes pesos pesados da economia nacional como Bayer, BASF, MCDonald's, Coca-Cola, Carrefour e Via Varejo.