André Ghignatti.

A Wow, aceleradora sediada em Porto Alegre que está entre as maiores do país, acaba de transferir sua sede para o Tecnopuc, parque tecnológico da PUC-RS, localizado na capital gaúcha.

“Sabemos que o Tecnopuc possui uma riqueza muito grande em termos de recursos humanos. E nós queremos fazer parte disso, participando da formação empreendedora dessas pessoas”, explica André Ghignatti, sócio-fundador da Wow.

A Wow concluiu em março a captação de cotas do seu terceiro fundo para aceleração de empresas, com o qual passará a contar com um total de 165 investidores individuais. De acordo com a Wow, a cifra é a maior entre as aceleradoras do país.

O Tecnopuc é uma das referências nacionais em parques tecnológicos e conta com mais de 150 empresas instaladas, incluindo nomes como Globo.com, Petrobras e Microsoft. São cerca de 6,5 mil pessoas trabalhando no local. 

A ida da aceleradora para o parque tecnológico é parte de um movimento mais amplo de aproximação entre os dois tipos de ambiente.

A Ventiur, outra aceleradora gaúcha com destaque nacional, também transferiu sua operação para dentro do Tecnosinos, um dos maiores parques tecnológicos do estado, sediado na São Leopoldo, cidade na região metropolitana de Porto Alegre que abriga o 

A aceleradora tem feito programas em conjunto com a Unisinos, dona do parque, assim como com a Feevale, universidade na vizinha Novo Hamburgo que também tem um parque tecnológico de destaque.

As aceleradoras são um fenômeno recente no Brasil, com a primeira abrindo as portas em 2005. Até 2012, o ritmo foi lento, com poucas abertas: 1 em 2007 e 2009, 4 em 2011, 5 em 2012. O ritmo decolou em 2013, quando foram abertas 7, e em 2014, quando foram abertas outras 8.

De lá para cá, no entanto, não há notícia de aberturas de novas aceleradoras e inclusive algumas das operações menos capitalizadas já começaram a fechar as portas, em meio a crise econômica. 

As aceleradoras selecionam empresas com maior frequência, oferecendo consultoria e investimento em troca de participação no capital. O negócio dá retorno com a saída dos investidores.

Dentro dos parques tecnológicos, a estrutura mais parecida com esse tipo de trabalho é a das incubadoras de novos negócios, mas elas funcionam com outro método, selecionado empresas para receber apoio por até dois anos, usando para isso os recursos das universidades às quais estão ligadas e captação de verbas de fomento à pesquisa.

As partes parecem ter descoberto que a abordagem é complementar. Em 2016, a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) anunciou uma “fusão” com a Associação Brasileira de Empresas Aceleradoras de Inovação e Investimento (Abraii).

Fundada em 2014, a Abraii reúne 21 aceleradoras, que agora serão somadas ao quadro de 345 associados da Anprotec, fundada no final dos anos 80, para articular o posicionamento de incubadoras de empresas e parques tecnológicos, muitos deles ligados a instituições de ensino superior.

A Abraii reúne alguma das maiores aceleradoras do país (21212, Aceleratech, Start You Up, Wayra e Wow estão entre as participantes) e foi fundada no auge de um processo de expansão desse tipo de empreendimentos no país.