Peter Hinssen. Foto: divulgação.

Foi com a famosa frase de Um Conto de Duas Cidades, do autor britânico Charles Dickens, que o estudioso belga Peter Hinssen definiu o momento tecnológico atual no planeta, baseado em conexão e rede.

Escritor de livros como A Rede Sempre Vence e analista conceituado do mercado de TI, Hinssen foi incisivo ao apontar prós e contras do acelerado ritmo tecnológico das empresas atuais. O palestrante foi um dos destaques no seminário Brasil em Código, promovido pela GS1 Brasil em São Paulo na quinta-feira, 31.

"Hoje em dia tecnologia é o que há de mais quente, mas para muitas coisas que ainda interessam, ela está falhando", afirmou Hinssen.

A crítica foi direcionada à grande atenção que marcas e aplicações recebem atualmente, como a Apple e seus dispositivos, assim como os US$ 19 bilhões pagos pelo Facebook para a compra do Whatsapp.

"No ano passado, muito se falou do Obamacare, serviço do governo norte-americano para saúde pública, mas diversos problemas, incluindo a tecnologia por trás do serviço, minaram o sucesso da iniciativa", afirmou o analista.

Hinssen também criticou o atual ritmo de tecnologias para as empresas, em que inúmeras tendências (Internet das Coisas, Big Data, redes virtuais) são apresentadas, sendo que nem os sistemas anteriores são totalmente funcionais.

Pesquisador na Rand Corporation, empresa californiana fundada em 1948 e uma das mais tradicionais do país na parte de pesquisa e desenvolvimento, Hinssen falou sobre o Vuca, conceito que define o ambiente tecnológico atual.

"São quatro regras que regem a TI e que as empresas devem estar atentas: Volatilidade, Incerteza (Uncertainty, em inglês), Complexidade e Ambiguidade. Com isso, a estratégia empresarial passa a ser fluida e constantemente adaptável", afirmou o executivo.

Para Hinssen, em um mercado abarrotado de alternativas e conceitos, muitas empresas estão com problemas para acompanhar esse tal de "mundo Vuca".

"Existe o relógio interno de inovação das empresas, que gira em um ritmo, e o de inovação externa, que está acelerado demais", avaliou o palestrante.

Para ele, o segredo está na informação. Mais precisamente, em como as empresas filtram elas e utilizam a favor de seu negócio.

"Como as empresas querem lidar com Big Data, sendo que hoje a maioria delas mal sabe tratar o Small Data?", perguntou o palestrante, para risadas nervosas da platéia.

Um exemplo de uso inteligente de dados citado foi o do LinkedIn, rede social voltado a contatos profissionais, que atualmente conta com cerca de 25 milhões de contas. De acordo com Hinssen, em relação à Microsoft, cerca de 97% do quadro de empregados da empresa tem perfis ativos no LinkedIn.

Para o palestrante, ao ter acesso às informações de cada profissional, seus contatos e atividades, o capital informacional da rede social vai além das assinaturas e publicidade.

"Hoje em dia, quem você acha que sabe mais sobre sua empresa? Você ou o LinkedIn?", disparou. Fica aí a pergunta.

*Leandro Souza foi para São Paulo a convite da GS1 Brasil.