REVOLUCIÓN

Venezuela cria o bolívar digital

01/10/2021 13:43

Governo corta 6 zeros da moeda e investe em digitalização de dinheiro sem valor.

Por um punhado de bolívares. Foto: flickr.com/photos/leonardo_cordero

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A Venezuela acaba de criar uma nova moeda, batizada de bolívar digital, em um esforço duplo por conter os efeitos da corrosão causada pela inflação no valor do dinheiro do país.

Por um lado, o governo está adotando a velha receita de cortar zeros, seis dessa vez. 

Por outro, anunciou que pretende que a economia se torne totalmente digital, o que especialistas interpretaram como um passo para evitar a emissão de cédulas que rapidamente perdem valor.

Este é o terceiro corte de zeros na moeda nacional em 13 anos. Foram 14 zeros eliminados no total.

A título de comparação, nos 52 anos entre 1942, quando 1 mil reis se tornaram um cruzeiro, e 1994, quando 2750 cruzeiros reais se tornaram 1 real, o Brasil cortou 18 zeros da sua moeda.

Assim como o Brasil com seus cruzeiros e cruzados, a Venezuela desenvolveu um sistema: o nome bolívar permanece, acrescido de um adjetivo. A moeda anterior era o bolívar soberano.

Com a mudança, que havia sido anunciada em 5 de agosto pelo Banco Central da Venezuela, 1 milhão de bolívares soberanos passarão a ser 1 bolívar digital, o equivalente a cerca de R$ 1,30.

A Venezuela passa pelo oitavo ano consecutivo de recessão e enfrenta uma hiperinflação, que chegou a 3.000% ao ano em 2020 e havia sido de mais de 9.500% no ano anterior. Desde 2013, a economia nacional encolheu 80%.

O governo não consegue imprimir notas em volume suficiente, fazendo com que o volume do dinheiro vivo na liquidez total do país seja hoje de 2%, frente a 10% no final da década de 90 e uma média de 14% na América Latina.

Pelo que parece, com o novo bolívar digital o governo está apostando em reforçar o que já é uma tendência no país. 

Com a falta de dinheiro vivo, a maioria dos pagamentos em bolívares é feita por meio de cartão ou transferência bancária, e preços em muitas lojas estão em dólar para evitar as constantes alterações nas etiquetas.

O comércio foi se habituando ao sistema, com transferências comprovadas através de fotos mandadas por WhatsApp. 

A classe média atende às suas necessidades fazendo pagamentos com o sistema automatizado Zelle, dos bancos internacionais.

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