Carl Claunch, VP Distinguished Analyst do Gartner, falou em evento da Sucesu-RS.

Chegou a hora de lavar aquela peça de roupa nova e ultrassensível. O que fazer? Hoje, as opções são contar com a sorte ou ligar para a mãe, mas em um futuro próximo, a máquina de lavar será capaz de reconhecer a peça e vender programas especiais de lavagem como aplicativos.

O que parece futurismo é um dos desdobramentos possíveis da confluência do crescimento da internet das coisas e do fenômeno do big data: a replicação do modelo de negócios dos aplicativos de celular através de todo tipo de indústria.

“Estamos falando de aumentar a renda das empresas gerando vários pequenos negócios ao longo do ciclo de vida do produto”, explicou Carl Claunch, VP Distinguished Analyst do Gartner, que esteve falando com CIOs e empresários de TI gaúchos durante um evento da Sucesu-RS nesta quinta-feira,  01.

No caso do exemplo da máquina de lavar, a roupa estaria chipada e a lavadora conectada aos servidores da fabricante. Uma realidade distante?

Nem tanto, apontou Claunch, lembrando que a internet das coisas foi apontada como uma das 10 tendências estratégicas de TI pelo Gartner para 2013. Em 2011, 15 bilhões de coisas estavam online constantemente e outras 50 bilhões com conexões intermitentes. Para 2020, as previsões são 30 bilhões e 200 bilhões, respectivamente.

Todos os produtos, máquinas e coisas em geral conectadas à internet de qualquer forma, junto com os dados postados em redes de mídia social por milhões de pessoas geram um fluxo contínuo de informação que necessitará pessoas e milhões de dólares em software para ser analisado.

De acordo com dados do Gartner, até 2015 o mercado de big data deve gerar US$ 132,5 bilhões em vendas de produtos e serviços, mais um milhão de vagas de emprego só nas mil maiores empresas do mundo.

Só o mercado de chips para pessoa física – os tênis Nike+ são o exemplo mais famoso – deve movimentar US$ 10 bilhões até 2016, um pouco mais que o dobro dos US$ 4,2 bilhões que devem ser registrados esse ano.

E o que fazer em relação a isso? O primeiro passo é reconhecer que as regras do mercado mudaram e que a competição agora é se dá não só em produtos mas entre plataformas de negócio.

“Talvez o caso mais famoso seja o da Nokia”, afirmou Claunch, citando um memorando interno do CEO Stephen Elap reconhecendo que a multinacional finlandesa perdeu a liderança de mercado para concorrentes com essa abordagem.

O segundo é colocar o tema na agenda da empresas, constituindo grupos dedicados a analisar o cenário e identificar tendências sociais e de tecnologia que possam influenciar o mercado como oportunidades – ou criar novos competidores – em um futuro próximo.

“Não dá para ser a última empresa querendo vender filme para máquinas fotográficas”, concluiu Claunch.