Flavio Wagner. Foto: Baguete.

O Parque Científico e Tecnológico da UFRGS lançou nesta terça-feira, 1º, sua nova marca, nome e serviços. A partir de agora, o parque passa a ser chamado de Zenit.

Mesmo sem um espaço físico definido, a intenção da universidade com a nova marca é divulgar a rede de serviços do parque disponíveis para empresas, startups e empreendedores no ambiente acadêmico, que é englobada pelo Zenit.

O projeto da construção de um espaço físico para o agora chamado Zenit anda a passos lentos.

A universidade federal gaúcha tem, desde 2010, um espaço de 35 mil m² de área construída reservado no Campus do Vale para a construção de oito prédios que abrigarão empresas, laboratórios e outros espaços de inovação.

Quando assumiu o cargo, em 2011, o diretor do parque, Flávio Rech Wagner, estabeleceu como meta ter  empresas das áreas de energias alternativas, TI, microeletrônica e engenharia de materiais instaladas no local em cerca de dois anos.

A construção, no entanto, é travada por um labirinto burocrático. Para começar as obras no local, a UFRGS precisa enviar uma extensa documentação para a Fundação Estadual de Proteção Ambiental do Rio Grande do Sul (FEPAM), o que deve ser feito até o final do primeiro semestre de 2016.

“Além da planta do parque, é preciso analisar questões de impacto ambiental, relatar processos de captação de água, passar informações sobre a vegetação, além de detalhar o tipo de uso que será dado a cada prédio, como área de atuação e tipo de atividade que será realizada”, relata Wagner.

Depois da aprovação, é preciso enviar o projeto de construção para análise da prefeitura de Porto Alegre. Esses processos não tem um prazo específico para entrega.

Entre os oito prédios, há espaços que serão construídos pela universidade a partir de recursos que ainda precisam ser buscados com órgãos de fomento, enquanto outros estão reservados para editais públicos em que empresas poderão concorrer aos terrenos e instalar seus espaços.

Também em 2016, será iniciada a construção de um primeiro prédio do parque - de apenas 1 mil m² - que já contava com aprovação prévia dos órgãos governamentais e poderá abrigar algumas empresas.

O nome Zenit foi inspirado em um termo científico, usado na matemática e na astronomia, que qualifica um “ponto imaginário” de um observador que se prolonga a partir da esfera celeste da Terra.

“A marca representa a busca por uma direção que segue sempre para o ponto mais alto possível”, explica Wagner.A partir do lançamento, o plano do parque é reforçar a parceria com companhias de diversos setores, que agora terão um edital específico para se tornar uma empresa associada não-residente do Zenit, que será lançado em março.

Com isso, mesmo sem presença física no campus da UFRGS, as empresas associadas poderão usufruir dos laboratórios, capacitações e atividades realizadas no Zenit.

Dentro do ecossistema disponível está, por exemplo, o NAGI, que orienta empresas de base tecnológica no desenvolvimento e implementação de um sistema de gestão da inovação, atualmente com oito empresas incubadas já atendidas e 18 empresas em fase de conclusão do programa.

O parque também conta com o Centro Multiusuário de Prototipagem Rápida (CMPR), que proporciona infraestrutura de prototipagem 3D a partir de uma impressora 3D e uma fresadora.

Além disso, a UFRGS conta com 5 incubadoras - vinculadas a diferente faculdades - e realiza diversas oficinas focadas em empreendedorismo e inovação. Só o CEI, focado na área de informática, tem atualmente 15 empresas incubadas e já graduou dezenas de outras.

A UFRGS foi o berço de uma série de empresas importantes do setor de eletroeletrônica gáucho, como Altus, Digitel e CP, além de manter convênios com multinacionais como Microsoft, HP e Dell.

Se o projeto no Campus do Vale não decolar, uma alternativa pode ser a região do quarto distrito, um retângulo entre a rodoviária e a avenida Sertório, limitada nas suas extremidades pela avenida Farrapos e a linha do Trensurb que é alvo de uma movimentação de revitalização urbana liderada pela prefeitura de Porto Alegre.

PUC-RS e a UFRGS estão trabalhando juntas para instalar um parque tecnológico na área, segundo revelou ao Baguete o  secretário de Fazenda de Porto Alegre, Jorge Tonetto.

A cooperação envolve professores da área de arquitetura das duas instituições, além da alta gestão das universidades.