Fabio Branco.

Ainda está indefinido qual será o espaço que o setor de ciência e tecnologia terá dentro da estrutura da nova Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia (SDECT).

Não há diretorias, organograma ou ações definidas, informou ao Baguete a secretaria por meio de nota.

No momento, quadros das antigas Secretaria de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (SDPI), da Ciência, Inovação e Desenvolvimento Tecnológico (SCIT) e da Economia Solidária e Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sesampe) estão participando de “oficinas setoriais” que visam contribuir para a composição da nova SDECT.

A atividade começou na semana passada e deve ocupar outras duas dentro da secretaria.

“O objetivo é construir um modelo de secretaria que permita um desenvolvimento sustentável para o estado”, destaca o secretário Fábio Branco na nota da SDECT.

O resultado do processo definirá se existirá algum diretor dentro da secretaria encarregado de dar continuidade a programas específicos para o setor de tecnologia como o PgTec, programa criado na SCIT durante o governo Yeda Crusius (PSDB) destinado a fomentar parques tecnológicos. Durante os últimos anos, 18 parques tecnológicos receberam recursos do programa.

Durante a última gestão, à cargo de Cleber Prodanov, a Secretaria de Ciência e Tecnologia bateu recorde em liberação de verbas. A meta para 2014 era chegar a R$ 88 milhões em verbas diretas da SCIT, sete vezes mais do que o feito durante o governo Yeda Crusius (PSDB) e mais do que 14 vezes a administração Germano Rigotto (PMDB).

Com o clima de corte de gastos imperante no governo José Ivo Sartori – da qual a própria extinção da Secretaria de Ciência e Tecnologia é uma consequência – a falta de um defensor desse orçamento pode significar o fim das linhas de crédito.

No processo decisório em curso, o setor de TI não pode lá contar muito com o peso dos antigos funcionários da SCIT nos debates internos da nova SDECT. A SCIT tinha apenas 27 cargos de comissão e dois servidores, sendo que o primeiro concursado foi contratado apenas em 2011.

Nesse cenário, o espaço que a área de tecnologia terá na nova secretaria de Desenvolvimento aparentemente poderá ter mais que ver com a capacidade do setor de pressionar por espaço e da visão do novo secretário sobre a importância da área.

Não cabe ter esperanças excessivas sobre o primeiro fator da equação. As entidades representativas do setor de TI falharam em promover uma mobilização significativa em favor da permanência da SCIT, o que, nos bastidores, era um consenso entre lideranças da área.

Apenas a Assespro-RS chegou a se manifestar publicamente sobre o assunto, através de uma nota divulgada após duas semanas de especulações a respeito do final da secretaria. Poucos dias depois, a SCIT, criada em 1995, foi oficialmente extinta.

Já o pensamento de Branco sobre o assunto é uma incógnita. O novo secretário foi eleito prefeito de Rio Grande em 2000 e 2008. Na eleição deste ano, foi o deputado mais votado da bancada estadual do PMDB, com 57 mil votos, a maior votação da história do município.

A cidade, em crescimento acelerado nos últimos anos pelos investimentos do polo naval, tem um projeto de parque tecnológico em andamento capitaneado pela FURG, com o qual Branco deve estar familiarizado.

A universidade lidera a construção de dois prédios de 1,3 mil metros quadrados cada um em uma área com 5 hectares do campus em Rio Grande. Eles devem receber entre 10 e 15 empresas.

Até agora foram investidos no parque R$ 6,6 milhões. O dinheiro é de duas rodadas do PgTec, ao qual se somaram contrapartidas da Furg e da prefeitura de Rio Grande.

O parque aposta em cinco eixos – construção naval e offshore, obras costeiras e oceânicas, biotecnologia, energia e logística – cada um deles voltado ao desenvolvimento de tecnologias e soluções para o setor.