Raúl Véjar.

A Sonda fechou 2016 com uma receita consolidada de US$ 1,21 bilhão, uma queda de 8,4% frente aos resultados do ano anterior e um EBITDA de US$ 145 milhões, 23,4% abaixo na mesma comparação.

Em nota, a empresa atribuiu os resultados à recessão enfrentada pelo Brasil e as flutuações das moedas latino-americanas frente ao peso chileno.
As operações fora do Chile totalizaram US$ 679,4 milhões, o que representa 55,7% do total.

O Brasil tem um peso grande dentro dessa fatia. Ao contrário de 2016, neste ano a Sonda não abriu o faturamento brasileiro especificamente.
Em 2015 ele havia sido de US$ 484,2 milhões, 10,3% menor do que o registrado em 2014 (na época, isso representava 63% do total fora do Chile).

Já na divulgação de resultados de 2015 a Sonda havia indicado o problema da desvalorização das moedas como o motivador da queda dos resultados.

Naquela ocasião, a empresa ainda conseguiu uma alta de 1,4%, apesar do Brasil ter afundado 10%.

O problema é que, pelo menos no caso do real, a questão da desvalorização do real se amenizou em 2016, sem efeitos no resultado da Sonda.

Em 2015, o real derreteu frente ao dólar, com uma desvalorização de 32% (o peso chileno, por outro lado, caiu apenas 15%). Nesse período, o dólar saltou de R$ 2,75 para um pico na faixa de R$ 4.

O ano passado, no entanto, viu uma reversão do processo, com uma queda de 28,75%, para algo ao redor dos R$ 3,25.

Mas nem tudo se trata da cotação da moeda. De acordo com o CEO da Sonda, Raúl Véjar, os resultados de 2016 também foram "significativamente influenciados pelo complexo cenário político-econômico", que gerou volumes de negociação mais baixos sobre os contratos existentes e menor demanda por novos contratos.

"Esta situação é diferente do observado nos outros países em que atuamos, nos quais, deixando de fora os efeitos cambiais, as receitas e os resultados permaneceram dentro do volume obtido em 2015, apesar das fraquezas das economias regionais", acrescenta Vejar.

A Sonda frisa que o "pipeline", contratos em diferentes momentos de negociação, aumentaram 106% no Brasil no ano passado, chegando a US$ 1,72 bilhão.

A Sonda seguiu investindo forte no mercado brasileiro em 2016.

Em agosto, levou 60% do data center mineiro Ativas por R$ 114 milhões.

A empresa também fez uma reorganização interna, visando posicionar-se como uma integradora de soluções com foco em verticais de mercado, aumentando a penetração nos clientes da sua base.

Até então, a companhia se organizava em seis divisões de negócio, com cada uma delas sendo no fundo uma das empresas compradas no passado.

Assim, a área de tecnologia fiscal e SAP era oriunda da Procwork, adquirida pela Sonda ainda em 2007; as áreas de virtualização, cloud computing, armazenamento e segurança da Kaizen, comprada em 2010 e as de tecnologia de comunicações da Telsinc, agregada também em 2010.

A meta é que a Sonda IT se posicione como uma integradora, vendendo projetos ponta a ponta que possam incluir tecnologias de diferentes fabricantes como SAP, Cisco, Microsoft, EMC e HP.