Carvão, esse desconhecido. Foto: flickr.com/photos/eyeweed/

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As federações industriais do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná vão promover uma ação conjunta em favor de um uso maior do carvão na matriz energética brasileira.

A decisão da Fiergs, Fiesc e Fiep foi divulgada nesta terça-feira, 02, durante reunião em Porto Alegre do Fórum Industrial Sul.

“Queremos recolocá-lo na pauta dos principais assuntos a serem debatidos no País e assegurar o espaço devido a ele na matriz energética nacional”, afirma Glauco José Côrte, presidente da Fiesc.

Nas estimativas das entidades,  ao longo dos próximos dez anos, se viabilizados os projetos de geração já existentes, o carvão pode trazer investimentos da ordem de R$ 13 bilhões, dos quais pouco mais de R$ 2 bilhões em Santa Catarina.

A mobilização das entidades não é à toa. A região Sul concentra as maiores jazidas de carvão do país - 79% delas ficam no Rio Grande do Sul - mas o mineral corresponde a apenas 1,3% da matriz energética do país, segundo a Associação Mundial do Carvão. Nos Estados Unidos, a cifra chega a 40%.

Os defensores da fonte de energia apontam ainda que ela pode pode dar maior segurança ao sistema elétrico nacional, uma vez que provê um recurso estável e não dependente das chuvas como as hidroelétricas.

O esforço das entidades industriais do Sul visa reverter a política energética do governo, que tem deixado o carvão em segundo plano, alegando que é um combustível poluente e colocando o foco no gás natural.

A indústria carvoeira tem investido em tecnologia para se livrar da pecha de poluidora.

Criciúma, em Santa Catarina, inaugurou em abril de 2010 o Centro Tecnológico do Carvão Limpo (CTCL), o primeiro passo do que seria um parque tecnológico voltado ao tema na cidade mais identificada com a mineração do carvão no país.

Na primeira fase, os investimentos chegam a R$ 7,4 milhões, vindos da Finep, Fapesc e Eletrobrás. O investimento total previsto chega a R$ 25 milhões, incluindo aí uma incubadora tecnológica, laboratórios e plantas de teste.

Nos anos 80, a indústria carbonífera empregava 12 mil pessoas na região de Criciúma  contra 3,9 mil hoje.