Arpit Joshipura. Foto: divulgação.

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Se a adoção de ambientes virtualizados está cada vez mais deixando de ser uma dúvida entre os gestores de tecnologias das companhias, uma nova discussão ganha os holofotes: como fazer isso de forma segura, frente às opções de nuvem aberta ou fechada.

Analistas e fabricantes como Dell, IBM, HP e Juniper apresentaram suas idéias sobre o mercado durante o NetEvents Cloud Innovation Summit, na Califórnia.

“Há cerca de dois anos, nos perguntávamos se o mercado iria de fato adotar ambientes virtualizados em suas operações e redes. Agora a questão mudou para ‘como faremos isso?’”, disparou de saída o gerente de marketing da Dell Networking, Arpit Joshipura, ao falar sobre a dúvida das empresas em adotar nuvens abertas ou fechadas.

De acordo com os fabricantes, um dos pontos que ainda confundem muitos gestores é a própria definição de nuvens abertas e sobre como o gerenciamento destes dados será feito pelas companhias.

De um lado, desenvolvedores de tecnologias de nuvens abertas como OpenStack defendem a liberdade de programação e de controle de suas nuvens. De outro, pesos pesados como Amazon e Microsoft (Azure), com preços acessíveis e processamento otimizado. É uma escolha difícil.

Mesmo assim, conforme aponta Dominic Wilde, VP de marketing da HP Networking, fabricantes passam por um momento de transição, mudando suas estratégias de venda e negócios para atender organizações interessadas em ambientes abertos e desagregados.

“Aberto significa escolha para os consumidores e diferentes instâncias de gerenciamento e separação de software e hardware. É preciso estar preparado para isso”, diz o executivo.

Por outro lado, conforme aponta o executivo da Dell, essa “abertura” na arquitetura pode ser uma faca de dois gumes, mais afastando do que atraindo novos clientes. Com padrões como o OpenStack, Hyper-V, entre outros, para alguns, essa variedade pode ser uma confusão.

“O truque é saber onde abrir (a arquitetura). Para sermos mais acessíveis, é mais adequado abrir primeiramente as camadas mais básicas e aos poucos ir escalando. Mesmo assim, não há uma resposta que resolva todas as dúvidas”, afirma Joshipura.

O executivo da Dell defende um futuro de nuvens híbridas, com diferentes níveis de gerenciamento e desagregação de dados.

"É preciso perceber que o mercado possui diferentes demandas, com clientes que desejam maior controle de suas nuvens, assim como existem outros que querem a melhor performance possível, sem maiores complicações", destaca.

Das grandes companhias, a IBM foi uma das que se posicionaram mais agressivamente, apoiando o OpenStack e a plataforma como serviço Cloud Foundry, apostando em um futuro com nuvens abertas.

Segundo Angel Diaz, VP de cloud labs da Big Blue, fabricantes com abordagens proprietárias não serão capazes de desenvolver tecnologias com a velocidade necessária para companhar a movimentação dos projetos de nuvens abertas.

"A IBM está 100% com a nuvem aberta. Se você não estiver a bordo, será ultrapassado pelo mundo", afirmou o executivo no final de 2013 em seminário na Califórnia.

Para Dan Pitt, diretor executivo da Open Networking Foundation, o futuro passa por uma inevitável comoditização do hardware e de soluções proprietárias destes fabricantes, em que o software poderá ser adequado de acordo com as necessidades de cada empresa.

"Os fabricantes ainda poderão inovar, em camadas abaixo e acima da interface de uso e controle, que se tornará primariamente um ponto de decisão para o consumidor", observa.

Leandro Souza viajou à Califórnia para o NetEvents Cloud Innovation Summit a convite da NetEvents.