Martin Casado. Foto: Baguete.

“Está começando a engrenar”. Esta é a posição de Martin Casado, CTO da VMWare e um dos principais nomes no desenvolvimento de ambientes virtualizados, sobre o mercado de redes definidas por software (SDN).

Casado, fundador da Nicira, startup especializada em uma tecnologia aberta de gestão de tráfego de rede no padrão Open Flow comprada pela VMWare por US$ 1,3 bilhão no ano passado, apontou um aquecimento e uma maior preparação das empresas em virtualizar e usar aplicações para rodar suas redes.

Criador do padrão OpenFlow e considerado um dos principais nomes na popularização do SDN, Casado foi um dos centro das atenções no Cloud Innovation Summit, evento realizado pela NetEvents em Saratoga, na Califórnia, reunindo jornalistas e analistas para discutir a situação das redes e ambientes corporativos em futuro cada vez mais conectado.

“Em 2010, o conceito de SDN parecia coisa de ficção científica para os CIOs. Em 2011, já se tornou algo plausível. Um ano depois, virou uma opção apenas para os mais arrojados. No entanto, a partir de 2013, muitas empresas passaram a querer conhecer mais, e agora em 2014, uma grande parte delas já está entrando em produção com suas SDNs”, narra Casado.

A evolução deste mercado coloca em cheque a supremacia da Cisco, líder em redes ethernet, atual padrão utilizado por muitas companhias.

A companhia detém 65% do mercado de switches Ethernet, avaliado em US$ 20 bilhões, segundo uma avaliação do Synergy, além de deter 70% do mercado de roteadores e lideranças nas áreas de sistemas de voz, WLAN e telepresença.

O SDN - incluindo infraestrutura de redes e camadas de aplicações até soluções de monitoração e serviços profissionais - é um mercado de apenas US$ 360 milhões no momento, podendo chegar até US$ 3,7 bilhões até 2016 na avaliação do Gartner.

Colocada desta forma, a supremacia da Cisco ainda é evidente, mas as crescentes discussões em torno da nova tecnologia aumentam o alvoroço e o interesse das companhias em saber mais do SDN.

Este crescimento em interesse é acompanhado pelos números mostrados pela VMWare, que em 2013 registrou um faturamento de US$ 5,21 bilhões. Segundo Casado, mais de trinta clientes já aderiram a soluções de redes virtualizadas da companhia, e este número tenderá a subir.

Perguntado sobre a concorrência, Casado não dá bola para a tal "guerra" contra a Cisco. Segundo o executivo, a VMWare tem seu foco em software, enquanto a outra empresa tem um foco pesado no hardware. Para Casado, é perfeitamente plausível um futuro onde aplicações e equipamentos de diferentes empresas se complementem.

“Ainda somos uma empresa pequena em relação à Cisco, e sei que as pessoas gostam de narrativas épicas, como se fôssemos um Davi enfrentando um Golias. Mas não acredito muito nessa rivalidade”, dispara.

Por falar em rivalidade, outras companhias também entraram na corrida do segmento. No final de 2013, a Oracle anunciou a compra da Corente por um valor não aberto, se preparando para um mercado com redes definidas via software.

Em comunicado, a Oracle afirmou que, com a aquisição, incluirá em seu portfólio produtos para virtualização de redes LAN (locais) a WANs, atendendo a clientes que precisam de soluções que atendam seus data centers e redes globais.

Até mesmo a Cisco se movimentou para não ficar de fora do SDN, adquirindo em 2013 por US$ 100 milhões a startup Insieme, com possibilidade de chegar a até US$ 750 milhões.

Para o mercado latino-americano, e em especial o Brasil, Casado aponta uma participação e um interesse rápido na adoção do SDN, apontando o UOL como um exemplo de uso da nova tecnologia.

"Eles tem um entendimento sofisticado do uso do SDN e estão levando nossas aplicações para alguns de seus serviços. Também temos um contato próximo com a Universidade de Brasília, que é uma grande colaboradora no desenvolvimento do padrão OpenFlow", revela o executivo.

Leandro Souza viajou ao NetEvents Cloud Innovation Summit, na Califórnia, a convite da NetEvents.