Márcia Machado e Bruno Vigna.

O SAP Labs Latin America, centro de desenvolvimento e suporte da multinacional alemã localizado em São Leopoldo, na região metropolitana de Porto Alegre, está fazendo um trabalho pioneiro na inclusão de profissionais com autismo na força de trabalho.

Recentemente, o centro contratou dois profissionais portadores de autismo para a área de desenvolvimento de software do Globalization Services, na qual são feitas as chamadas “tropicalizações” que permitem às soluções da SAP atenderem requisitos legais e de negócios do Brasil.

“Esses dois profissionais trazem pontos de vista diferentes e inovadores para nossos processos, agregando valor nos resultados”, destaca Thais Catarino, líder do programa SAP Autism at Work no Brasil.

Seguindo uma tendência mundial em recursos humanos na área de tecnologia, o SAP Labs fez algumas adaptações no ambiente de trabalho, principalmente em relação a ruído e luminosidade, que permitem aos contratados desempenharem bem seu trabalho.

“Adoro trabalhar aqui pelo ambiente, pelas pessoas e pelo apoio psicológico. Os gerentes me ajudam sempre que preciso, eles são motivadores e têm bastante conhecimento para passar”, diz Bruno Luiz Rodrigues Vigna. 

Já Márcia Machado destaca outros diferenciais da empresa como a preocupação ecológica, a inclusão e a diversidade. “É gratificante ter sido incluída no programa. A SAP tem um respeito muito grande comigo”, diz.

O autismo é um distúrbio neurológico caracterizado por comprometimento da interação social, por dificuldades de interpretação de comunicação verbal e não-verbal que são feitas de maneiras quase inconsciente na maioria das pessoas. 

Ou, de acordo com uma definição célebre sobre o tema da bióloga Mary Temple Grandin, ela mesma uma autista, interações normais fazem uma pessoa portadora do problema se sentir “como um antropóloga em Marte”.

(Um antropólogo em Marte, é, aliás, o título de um livro do neurologista americano Oliver Sacks que aborda, entre outras histórias interessantes de pacientes, o caso de Mary Temple).  

Estudos mostram que 1% da população do mundo tem autismo, o equivalente a 70 milhões de pessoas. Segundo estatísticas compiladas nos Estados Unidos, 90% tem dificuldade em encontrar trabalho.

A SAP, em parceria com a Specialisterne, da Dinamarca, desenvolveu em 2013 dois projetos pilotos na Irlanda e Índia para aproveitar os talentos característicos de pessoas com autismo, como a capacidade de concentração, nas áreas de software, programação e gerenciamento de dados. 

A iniciativa foi replicada para todas as unidades da empresa globalmente e já é realizada em países como Brasil, Canadá, República Checa, Alemanha, Índia, Irlanda e Estados Unidos. Em 2016, também será inserida na Austrália e Coréia.  A Microsoft tem uma iniciativa similar, inclusive trabalhando com a mesma ONG.

Até 2015, a empresa já tinha contratado 53 funcionários em todo o mundo através de seu programa Autism at Work. A meta é que o número chegue a 700 até 2020, o equivaleria a 1% do total. O SAP Labs tem cerca de 650 funcionários, o que levaria a meta de contratações para seis pessoas.

O programa SAP Autism at Work será tema de um evento no SAP Labs Latin America na segunda-feira, 13, das 13h30 às 17h30. 

Participam José Velasco, co-líder global do SAP Autism at Work Program;  Nelson e Heide Kirst, fundadores da Associação Pandorga e Walter Camargos Junior, psiquiatra, que falará sobre a empregabilidade de pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).