A BrPhotonics é uma joint venture entre o CPqD e o grupo norte-americano GigPeak. Foto: Divulgação.

A Finep concluiu recentemente, por meio do FIP Inova Empresa, um investimento direto na BrPhotonics (BrP), empresa com atuação no mercado de dispositivos fotônicos e microeletrônicos para sistemas de comunicações ópticas de alta velocidade. 

A operação será de R$ 15 milhões e o primeiro aporte, no valor de R$ 10 milhões, já foi realizado.

Com isso, a financiadora torna-se sócia da BrP, uma joint venture entre o CPqD e o grupo norte-americano GigPeak. 

O segmento de comunicações ópticas está crescendo pela demanda cada vez maior por capacidade de transmissão - determinada, principalmente, pelas aplicações e serviços na nuvem, de entretenimento on-demand e pelo processamento de grandes volumes de dados não estruturados.

Um dos principais objetivos da BrP é atender a essa demanda por meio da convergência entre as tecnologias fotônicas e de microeletrônica, de modo a proporcionar maior densidade de informação (bit por área) nas aplicações de comunicações.

“Com esse aporte da Finep, pretendemos acelerar a conclusão de produtos que vão incrementar nosso portfólio e ampliar as vendas da BrPhotonics em 2017. Nosso objetivo é integrar fotônica e microeletrônica em dispositivos destinados ao mercado de transmissores e receptores ópticos”, afirma Júlio César Fernandes de Oliveira, presidente da empresa. 

Criada há pouco mais de dois anos em Campinas, a BrP tem a expecativa de ser uma competidora global na área de dispositivos para sistemas avançados de comunicações ópticas. Até o momento, já vendeu produtos para cinco países: Irlanda, República da Coreia, Alemanha, Estados Unidos e Brasil. 

O acordo firmado entre o CPqD e a GigPeak para sua criação envolveu a transferência de conhecimento, de propriedade intelectual e até de uma linha de produção instalada nos Estados Unidos (trazida para o Brasil).

Hoje, seus principais produtos são os dispositivos fotônicos integrados, modulador, em substrato de polímero e em silício, o receptor em silício, e o laser sintonizável de cavidade externa. 

Entre os dispositivos fotônicos integrados, alguns modelos já estão em comercialização, enquanto outros encontram-se em fase final de desenvolvimento ou qualificação. 

O portfólio da BrPhotonics inclui ainda os blocos de propriedade intelectual (IPs), que representam algoritmos responsáveis por habilitar a transmissão e recepção óptica para sistemas coerentes, em formatos adequados à utilização em chips microeletrônicos. 

As instalações industriais da BrP, inauguradas no ano passado, são responsáveis pelo processamento e alinhamento de chips fotônicos destinados à utilização em sistemas ópticos de alta velocidade (de 100 Gb/s a 1 Tb/s), em redes de fibra óptica de longa distância ou metropolitanas (metro) e para prover conectividade em cloud computing.

A Finep passou a investir diretamente em empreendimentos com elevado risco tecnológico, por meio do FIP Inova Empresa, em março de 2015. A primeira operação foi feita nas holdings Parit e HCHT, apoiando as empresas Altus e HT Micron. 

O fundo tem capital comprometido de R$ 500 milhões e se destina a empresas inovadoras brasileiras, pertencentes aos setores prioritários estabelecidos na Politica Operacional da Finep, que desenvolvam tecnologias críticas para o país e que tenham perspectivas de crescimento acelerado.

Os mecanismos de investimento do FIP Inova Empresa englobam aquisição de participação societária via emissão de ações, debêntures conversíveis e outros títulos, além de também prever o co-investimento com instituições públicas e privadas. 

A BTG Pactual Serviços Financeiros DTVM, controlada pelo banco BTG Pactual, é a administradora do FIP. Cabe à Finep selecionar as empresas que receberão os investimentos. O objetivo é investir entre oito e dez empresas que tenham foco em crescimento com a inovação como fator chave.

Na época de sua fundação, em 2015, o plano da BrP era atingir um faturamento de R$ 30 milhões até 2017.