Cristina Palmaka.

A SAP anunciou nesta terça-feira, 02, seus planos para contratar um data center no Brasil até o primeiro trimestre de 2015, focado inicialmente em oferecer o software de gestão de RH Success Factors.

O centro de dados será contratado em colocation com um fornecedor ainda não definido, com investimento estimado em R$ 19 milhões.

O cronograma prevê que os próximos sistemas a rodar no ambiente serão a solução de e-procurement Ariba e CRM na modalidade como serviço. 

E o ERP? “Isso é uma outra história, assunto para uma próxima coletiva de imprensa no futuro”, despista Cristina Palmaka, presidente da SAP no Brasil.

A desconversada de Cristina tem lá seus motivos. Vários parceiros brasileiros da SAP já fizeram investimentos para oferecer os ERPs da multinacional na nuvem. 

Para ficar em dois exemplos, a T-Systems investiu R$ 50 milhões em um data center em 2010. A Sonda fez o mesmo, gastando R$ 14 milhões, ainda no final de 2011. Ambos são centros certificados Tier 3.

Parece que a SAP decidiu começar a sua nuvem própria oferecendo produtos nos quais não será uma competidora para o seu próprio ecossistema, soluções satélites ao seu carro chefe que ainda necessitam massa crítica no mercado local.

Comprada por uma bolada de US$ 3,4 bilhões em 2012, a SucessFactors ainda engatinha no Brasil, por exemplo

Até agora, a SAP já colocou seis canais para oferecer o software (Cast, Grupo ASSA, Red&White IT Solutions,  ITS Group, FH Consulting). Em nível mundial, a solução é usada por 3,5 mil empresas. 

No Brasil, onde a SucessFactors abriu operação no começo de 2011, o total chega a pouco mais de 200.

Segundo assim, não há uma previsão muito definida da SAP sobre quando o investimento no data center trará resultado. 

“Entendemos que a agressividade vai movimentar negócios”, diz Cristina. “Até em clientes que ainda tinham dúvidas sobre ir ou não para nuvem”, completa a executiva, que assumiu a SAP do Brasil em outubro do ano passado vinda da Microsoft.

O fato, no entanto, é que a multinacional alemã foi uma das últimas entre os grandes fornecedores globais de TI a anunciar a chegada de um centro de processamento de dados no país. 

Nos últimos meses, IBM, Microsoft, Huawei, Dimension Data, VMware e Dell fizeram anúncios do tipo.

Cristina não se incomoda pela dianteiras dos outros players. Questionada sobre o assunto, a presidente da SAP Brasil inclusive aproveita para dar uma agulhada na arquirrival Oracle, que, no final do ano passado, prometeu um data center para o primeiro semestre de 2014 e não voltou a falar do assunto. 

“Talvez podemos ser os últimos a falar, mas somos rápidos para fazer. Alguns anunciaram [o DC no Brasil] no gerúndio. Não é um sonho, o plano está sólido”, fulmina a executiva, que é conhecida pela sua paixão pelo maratonismo e deve conhecer algo sobre a importância de não queimar a largada.