Venda de smartphones a perigo? Foto: reprodução.

O IDC revisou suas estimativas de venda de smartphones em 2015, jogando mais pra baixo a previsão de aparelhos comercializados. Segundo a consultoria, a queda de vendas em 2015 pode chegar a 8,3%, com um total de 50 milhões de aparelhos.

O número representa uma redução de 4 milhões de aparelhos sobre a previsão feita em julho. Na época, a consultoria apontou o número como um descréscimo de 1% sobre os 54,5 milhões de smartphones vendidos em 2014, o maior número registrado pelo país.

A revisão do IDC levou em conta o turbulento quadro macroeconômico e a alta do dólar no país, que deve influenciar os precos tanto para os smartphones importados quanto para os fabricados nacionalmente, que usam componentes de fora em sua fabricação.

Vale lembrar que no primeiro semestre o segmento registrou cerca de 4,86 milhões de aparelhos comercializados, 1% a menos do que no mesmo mês de 2014. Em maio, a queda foi de 16%, com 3,89 milhões de smartphones vendidos. Para o segundo trimestre, os números preliminares mostram que as vendas devem cair 12% na comparação com o mesmo período do ano passado.

A análise do IDC não levou em consideração um novo fator apresentado esta semana: está em trâmite em Brasília uma medida provisório que prevê o fim da desoneração de PIS e Cofins sobre smartphones produzidos localmente - a chamada Lei do Bem. Caso a medida provisória seja aprovada no Congresso, ela entra em vigor no dia 1º de dezembro.

Com o fim da isenção, a previsão mais óbvia é que os preços venham a aumentar e as vendas devem cair ainda mais. Entretanto, para Reinaldo Sakis, gerente de pesquisas da IDC Brasil, considera prematuro refazer o cálculo agora levando em conta o fim da desoneração.

"Dependendo de como o setor de telecom reagir à decisão do governo, pode ser que haja ainda uma reviravolta sobre o assunto, como aconteceu com a CPMF e o Fistel para módulos de M2M. Muita água ainda vai passar debaixo da ponte", comenta o analista.

Segundo dados do IDC, este será o primeiro ano em que o mercado brasileiro de smartphones vai diminuir ao invés de crescer, apesar de nos últimos anos registrar um crescimento abaixo da média mundial.

Ainda sobre o possível fim da Lei da Bem, Sakis frisa que o aquecimento do mercado nacional não é o principal fator que contribuiu para as vendas no país. Segundo o analista, o crescimento foi reflexo natural do mercado, com tecnologias móveis mais avançadas, como novos aparelhos e as redes 4G.

"O cenário como um todo era favorável ao crescimento", avaliou o especialista.