Mais do que nunca, profissionais estão considerando empregos abaixo da sua qualificação. Foto: flickr.com/photos/brizzlebornandbred/

Kelly Nascimento, uma ex-analista sênior de sistemas, trocou seu cargo em um banco pelo caixa de um hipermercado em São Paulo.

A história da profissional, que trocou um salário de R$ 12 mil por um de R$ 1,2 mil, faz parte de uma matéria do Estado de São Paulo sobre uma tendência crescente no mercado de trabalho. 

Segundo análise da consultoria iDados, 30% dos profissionais com ensino superior estavam ocupando funções que não demandam uma formação universitária no segundo trimestre, pressionados pelo mau momento da economia.

O número é cinco pontos percentuais acima do registrado em 2014, no começo da crise, e representa hoje 5,2 milhões de pessoas no país.

A tendência é especialmente mais forte entre profissionais de entre 25 e 24 anos, no qual a cifra passou de 28,7% para 34,1%.

Esses profissionais menos experientes estão encarando menos oportunidades e processos seletivos mais longos.

O caso de Nascimento é um pouco diferente. Ela tem 43 anos e contava com 15 anos de mercado financeiro quando foi demitida.

Ela tentou montar um negócio de bolos com as irmãs, que não foi adiante. No começo do ano, com dívidas e o marido também desempregado, topou o trabalho de caixa.

“Não podia esperar. No início fiquei muito triste. Sem desmerecer ninguém e nenhum trabalho, mas eu havia atuado em grandes instituições, tenho graduação e duas pós, coordenava projetos e pessoas. Foi difícil me ver atrás de um caixa”, disse a profissional ao Estadão.

Muitos outros profissionais consideram uma opção do tipo.

Outra pesquisa, divulgada em agosto pela agência de recrutamento de executivos Robert Half, indica que 92% dos desempregados com graduação aceitariam retornar ao mercado por salário e posição inferiores. 

A proporção é a mais alta da história do levantamento, que está em sua oitava edição.