Fernando Vendramini, VP de Serviços de Nuvem Gerenciada da Oracle na América Latina.

Durante o Oracle Open World, a palavra-chave do evento foi "nuvem", mais especificamente o reposicionamento da companhia de uma fornecedora de aplicações, plataformas e infraestrutura on-premise para um player de cloud.

Entretanto, para executivos da companhia, a transição para o novo modelo ainda guarda muito espaço para estruturas locais, o chamado on-premise.

“O objetivo é triplicar o faturamento de software-como-serviço (SaaS) no próximo ano, mas sem diminuir o share que temos no on-premise”, destacou Eduardo López, VP de Arquitetura e Consultoria de Vendas para América Latina.

Esse faturamento, segundo destaca o executivo, vem do trabalho da empresa em se aproximar de clientes menores que tem o interesse em adotar estruturas de TI com fornecedores até então com fama de serem elitizadas, como a Oracle.

Entretanto, para empresas maiores, López acredita que a arquitetura híbrida de nuvem, com dados e aplicações divididos entre data centers externos e locais, é o que dará competitividade para a Oracle, principalmente ao lidar com grandes contratos e setores mais protegidos, como financeiro e público.

Fernando Vendramini, VP de Serviços de Nuvem Gerenciada da multinacional na América Latina, acompanha o pensamento de López. Para ele, em um primeiro momento a principal função da companhia é viabilizar a nuvem híbrida para as companhias.

“Este é o primeiro passo para clientes que exigem um certo grau de especificidade em seus processos. Depois, o plano é caminhar gradualmente para uma nuvem cada vez mais pública, implementando segurança e eliminando redundâncias”, prevê Vendramini.

Para o futuro, especificamente para softwares, López acredita que a adoção da nuvem será mais acelerada.

"Para aplicações, imagino que em pouco tempo nossa base deve chegar a 90% SaaS e 10% com soluções instaladas em infraestruturas locais", destacou o executivo.

Para analistas, o investimento da companhia em se posicionar como uma empresa agora focada em serviços e aplicações em cloud é uma manobra para contrabalançar a queda de seus ganhos com vendas de licenças de software.

Segundo dados da Bloomberg, a Oracle reportou lucro no primeiro trimestre do ano fiscal 2015, mas ficou abaixo das expectativas de mercado. Além disso, a previsão para o segundo trimestre fiscal deste ano também ficou aquém do esperado.

Os resultados estão determinando uma transição no modelo de vendas e até de administração da empresa, da qual o aspecto mais visível foi a saída das operações cotidianas do fundador da Oracle, Larry Ellisson.

Analistas do mercado de tecnologia apontam que a Oracle passa no momento por uma situação similar à da IBM no começo dos anos 90, quando a ascensão da computação em plataforma baixa destronou o mainframe, até então o carro chefe da companhia.

A Oracle gastou bilhões em aquisições nos últimos anos, mas o seu negócio principal segue sendo banco de dados, no qual a empresa tem um grande poder de ditar preços altos e gera receita constantemente com upgrades e suporte. A margem operacional chega a 47%.

O berço esplêndido é afetado por várias outras tendências há algum tempo: bancos de dados open source (aos quais a Oracle reagiu comprando a Sun), e, mais do que isso, cloud computing e big data.

O problema, como atestam os depoimentos de López e Vendramini, é como continuar a migração para os novos modelos, atendendo às novas demandas mas mantendo a rentabilidade da base instalada.

Foi o problema que um dia a IBM enfrentou: pioneira dos novos bancos de dados, a empresa titubeou sobre vender os novos servidores devido ao medo de matar a galinha dos ovos de ouro, o bom e velho maniframe.

No meio tempo, surgiram novos competidores, como a Oracle.

* Leandro Souza cobre o Oracle Open World em San Francisco à convite da Oracle.