Cleiton Klein, Robison Klein, Luis Rogério Dupont e Vanderlei Reinhart, os sócios da Cigam.

A Cigam, empresa de software empresarial com faturamento de R$ 45 milhões em 2013, acaba de se tornar uma S.A, uma medida adotada em boa parte para facilitar seu crescimento inorgânico nos próximos anos.

De acordo com Robinson Oscar Klein, diretor-presidente da Cigam, a empresa negocia no momento duas aquisições que devem ser concretizadas em 2015.

Neste ano, a Cigam anunciou duas compras com ofertas complementares. A Gestor, uma empresa de Pelotas especializada em ERP para varejo com 700 clientes, adquirida em um negócio de R$ 8 milhões e a Sige Cloud, uma pequena startup de sistemas de gestão na nuvem.

A empresa também se tornou integrante da aceleradora Ventiur.net através da qual já colocou dinheiro na Beonpop, desenvolvedora de um aplicativo que mede a popularidade de pessoas e corporações no Facebook, e Papadividas, plataforma de relacionamento entre credores e devedores através das redes sociais, além de outros projetos e empresas em aceleração.

O status de S.A torna mais fácil para a Cigam levantar dinheiro junto a fundos de investimento para bancar novos aquisições, além de usar ações como pagamento, o que abre o caminho para negócios de maior porte, visando consolidar market share.

“Para sobreviver nas condições atuais, cada vez mais é preciso uma base grande de clientes”, explica Klein, fazendo uma análise que inclui a pressão sobre os lucros exercida pela ascensão do modelo de cloud computing, a elevação do preço da mão de obra e o cenário de pouco crescimento econômico para 2015.

De acordo com a pesquisa da FGV sobre o mercado de ERP, até o final de 2013, a Totvs dominou a faixa que envolve empresas que possuem entre 170 e 700 teclados, com 41% de participação, ante 24% da SAP, 17% da Oracle e 18% de outras empresas, o que indica margem para consolidação.

Klein frisa que esse levantamento está longe de refletir a realidade de empresas de pequeno e médio porte que compõem o grosso da carteira de 5 mil clientes da Cigam, e que, mais para baixo da pirâmide, a fragmentação é ainda maior.

A projeção da Cigam é crescer 22% neste ano, o que levaria a empresa a um faturamento de R$ 54,9 milhões. 

O bom resultado e o impulso de se tornar uma S.A cacifam os gaúchos em uma disputa com outros players emergentes do mercado de ERP nacional.

Neste mesmo ano, a Mega, empresa de sistemas de gestão sediada em Itu, no interior de São Paulo, também se tornou uma S.A e comprou a totalidade de um dos seus maiores canais e uma participação não revelada na Mega Minas.

A meta da empresa para o ano é atingir R$ 70 milhões, alta de 10% (a meta incial era 15%, mas foi revista para baixo em função da desaceleração econômica do país), o que a coloca numa faixa similar à da Cigam.

O maior concorrente a ser considerado é a Senior, empresa de Blumenau que é uma S.A desde 2011 e fechou o último semestre com faturamento de R$ 85,6 milhões um crescimento de 37% sobre o valor registrado no mesmo período em 2013.

Desse total, que deve fechar o ano em R$ 190 milhões, cerca 40% vem da área de ERP (outros 40% são de softwares de folha de pagamento e 20% de soluções de controle de acesso).