Andiara Petterle, vice-presidente de Jornais e Mídias Digitais do Grupo RBS. Foto: Félix Zucco.

A Zero Hora lançou nesta semana a nova versão de seu jornal digital, com uma publicação mais interativa. O jornal online - que conta com vídeos, galerias de fotos e conteúdos extras - é publicado com a ferramenta MavenApp.

A versão digital da Zero Hora é disponibilizada na web e nos novos aplicativos Android e iOS do jornal. Cada publicação é lançada diariamente às 4h da manhã. O jornal também conta, desde o início da semana, com a ZH Noite, uma publicação disponível somente de forma digital que é lançada diariamente às 19h e conta com as atualizações do dia.

A ferramenta MavenApp é desenvolvida pela gaúcha Maven, também responsável pelo software de publicação digital Mavenflip. Com o Mavenflip, a empresa conta com clientes como Correio do Estado (MS), Grupo Sinos (RS), Câmara dos Deputados-RS, Revista ImóvelClass, entre outros. A PUC-RS é uma das usuárias do MavenApp.

A nova versão da Zero Hora foi apresentada no momento do lançamento do ZH Tablet, nova modalidade de assinatura do jornal. O novo formato inclui a entrega de um tablet da Samsung com tela de 9,6 polegadas e todos os aplicativos da Zero Hora. 

Desde o início do cadastro de interessados na novidade, no dia 23, até esta semana, mais de 2 mil pessoas se registraram para adquirir o pacote.

O valor da assinatura do ZH Tablet é de R$ 109,90 mensais, em um contrato com fidelidade de 12 meses. A assinatura digital do jornal para quem já tem um tablet ou escolhe ler pelo computador sai por R$ 25.

Com isso, é possível concluir que, em um ano, o assinante do pacote ZH Tablet pagará R$ 1018,80 pelo tablet - além do suporte oferecido pela Zero Hora em relação a dúvidas ou problemas com o dispositivo.

No varejo online, o aparelho que acompanha a assinatura do jornal - o Galaxy Tab E 9.6" Wi-Fi - é encontrado por valores entre R$ 750 e R$ 800.

“Nesse modelo de assinatura o leitor recebe um tablet, tem acesso ao jornal antes, recebe o dobro de edições por dia, conteúdos exclusivos de colunistas, com vídeo, áudio e imagens, além do Clube do Assinante” destaca Andiara Petterle, vice-presidente de Jornais e Mídias Digitais do Grupo RBS.

Andiara assumiu o cargo com a missão de sacudir as coisas em março deste ano (a formulação da assinatura ZH Tablet ainda em modo piloto começou apenas um mês depois).

A executiva era CEO da Predicta, empresa de publicidade online adquirida pela RBS. A profissional está na internet brasileira desde os primórdios: foi uma das fundadoras do Bolsa de Mulher, um dos pioneiros da mídia online brasileira, e trabalhou no buscador Cadê.

Os anúncios da edição do tablet serão os mesmos do jornal, com a diferença em que poderão ter recursos interativos e oferecerão relatórios para os anunciantes.

A Zero Hora foi um dos primeiros jornais brasileiros a ter uma versão para o Kindle, em 2009, e para o iPad, em 2011. 

O momento escolhido pela ZH para lançar o novo modelo focado em tablets é arriscado. Depois de um entusiasmo inicial com os primeiros lançamentos desses aparelhos dois anos atrás, o mercado no Brasil vai de mal a pior.

De acordo com dados do IDC, as vendas caíram 20% no primeiro semestre de 2015 frente ao mesmo período do ano anterior, um índice bem maior que os 13% esperados pela consultoria.

Parte da queda tem a ver com a alta do dólar: mais da metade das marcas que faziam negócios no mercado brasileiro deixaram o país quando seus produtos importados se tornaram inviáveis para o consumidor (68% dos produtos vendidos no país custam até R$ 500).

A parte mais preocupante do problema para as pretensões da Zero Hora é que os consumidores parecem estar abandonando os tablets por outros motivos.

Durante alguns anos, o tablet foi considerado a segunda tela, porém, a partir do momento que os smartphones de tela grande se popularizaram - e consequentemente ficaram mais baratos - houve uma canibalização no mercado.