CROWDFUNDING

Startup de vestidos de noiva capta R$ 650 mil

02/12/2019 14:42

O Amor É Simples participou da rodada de investimentos da CapTable.

As sócias Evelin Bordin, Janaína Pasin, Natália Pegoraro e Laís Ribeiro. Foto: Ana Antunes.

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A startup de vestidos de noiva O Amor É Simples captou R$ 650 mil em rodada de investimentos da CapTable, plataforma equity crowdfunding da StartSe.

O valor, que era a meta da empresa, foi atingido em duas semanas e a proposta conquistou 254 investidores.

Localizada em Porto Alegre, a startup foca em vestidos de noiva mais simples e muito mais baratos que os tradicionais, vendidos no e-commerce por valores que variam entre R$ 399 e R$ 2,3 mil. Os mais vendidos custam em torno de R$ 2 mil.

Para se ter uma ideia do mercado, lojas tradicionais chegam a alugar um vestido por R$ 2,6 mil.

O Amor É Simples tem quatro sócias: Evelin Bordin, a estilista que desenvolve as peças; Janaína Pasin, consultora de gestão; Natália Pegoraro, relações públicas; e Laís Ribeiro, com carreira também voltada à gestão estratégica e comunicação.

A empresa responsável pelo e-commerce é a Traust IT, de Porto Alegre, que utiliza a plataforma da Wordpress.

Fundada em 2014, a startup teve um investimento inicial de R$ 10 mil. Em 2016, recebeu R$ 80 mil Ventiur e, no final de 2017, mais R$ 80 mil de investidores-anjo de São Paulo.

No ano passado, atingiu um faturamento de R$ 1 milhão. 

Com o novo aporte, a projeção é alcançar a marca anual de R$ 16 milhões em 2025, começando por 2 milhões em 2020.

“Estamos muito felizes em ter feito essa rodada. É uma ótima modalidade para conseguir investimento rápido e também acaba criando um exército de pessoas que vão disseminar a nossa marca por vários lugares, inclusive os que a gente ainda não chegou”, ressalta Laís Ribeiro co-fundadora da startup.

O dinheiro do aporte será investido em em tecnologia, marketing, lojas temporárias e estoque, já que hoje a equipe trabalha sob demanda, confeccionando os produtos com mão-de-obra própria.

Segundo a empresa, 74% da sua audiência vem do mobile, então a ideia é investir em algo neste sentido. O caminho não necessariamente será um aplicativo, mas uma experiência mais amigável.

O público-alvo da startup é a Geração Y e as próximas que vierem. Segundo Ribeiro, este perfil não está mais disposto a investir valores que podem se equivaler a um apartamento para um experiência que dura apenas uma noite. 

Os casamentos dos Millennials já representam 45% do total realizado por ano no Brasil e a faixa etária tem preferido celebrações menores e mais intimistas. 

O mercado de casamentos movimenta R$ 20 bilhões por ano no país.

“Um aspecto que se destaca em ‘O Amor É Simples’, além do crescimento na casa dos três dígitos, é aliar branding, propósito e um claro potencial de lucro. É hora d’O Amor é Simples ganhar marketshare e sabemos por experiência que, quanto maior a escala, maior a tendência de que a margem cresça ainda mais”, aponta Guilherme Enck, co-fundador da CapTable. 

A startup tem inspirações em empresas como a Anomalie, dos Estados Unidos, e a Grace Loves Lace, da Austrália.

Entre 2014 e 2018, a O Amor É Simples viveu apenas do e-commerce, mas, na busca pelo segundo aporte, as sócias se deram conta da necessidade das clientes verem os produtos de perto, o que aumentava as vendas.

Em março de 2018, inauguraram o showroom em Porto Alegre e, depois, fizeram lojas temporárias, nas capitais de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador e Curitiba.

Os locais físicos servem para as noivas experimentarem o mostruário, fazerem a encomenda do seu vestido e recebê-lo em casa.

Com a presença offline, a startup passou a registrar uma taxa de crescimento de 300% ao ano. 

Com a injeção de capital, as sócias querem passar por 24 cidades no próximo ano, explorando mais municípios médios, além do norte e nordeste do Brasil. 

O Amor É Simples geralmente lança duas coleções ao ano, com cerca de oito a dez vestidos cada, e mantém aqueles que forem mais interessantes comercialmente.

Hoje são cerca de 35 modelos no site, que também podem ser customizados ou modificados.

A startup já vendeu mais de 1,7 mil vestidos. Somente no ano passado, foram 750 e, em 2019, o número deve passar de 800.

Apesar de se tratar de um produto de venda única, a empresa afirma que está começando a diversificar o portfólio com acessórios para noivas e madrinhas, sendo que 20% das vendas são por indicação.

Além de indicarem amigas, as mulheres que já foram clientes foram convidadas a participar da última rodada de investimentos e, segundo a empresa, se engajaram: uma delas colocou R$ 25 mil na startup.

O suporte das ex-clientes fez com que 28% dos investidores que fizeram algum aporte dentro da CapTable fossem mulheres, um número 300% maior do que na rodada anterior, realizada entre julho e outubro deste ano. 

Com relação à diversificação, o mercado de aluguéis não é visto como uma opção pelas empreendedoras, por conta da logística ser muito diferente. Neste caso, é preciso que os vestidos sejam lavados e ajustados, o que dificulta a operação a nível nacional. 

As empreendedoras também adquiriram o site Casando Sem Grana, onde dão dicas de como fazer casamentos econômicos e, no meio disso, oferecem os vestidos como uma opção.

Elas mesmas abastecem o conteúdo do portal e, com o novo aporte, também pretendem investir mais em conteúdo.

O valor foi arrecadado dentro da CapTable, uma plataforma de investimentos em startups em que qualquer pessoa pode se tornar sócia de uma empresa com valores a partir de R$ 500.

A CapTable é uma joint venture entre a StartSe e a holding CFG (Crowdfunding Group), que abriga também a fintech Cap Rate, plataforma de investimentos no mercado imobiliário.

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