Na prática, o comando da Salesforce segue totalmente com o seu fundador. Foto: Pexels.

Tamanho da fonte: -A+A

A Salesforce deu uma contribuição para o mundo da conversa fiada corporativa nesta quarta-feira, 1, ao criar um cargo de co-CEO que na verdade não é co-CEO.

A empresa anunciou que Bret Taylor, o seu ex-COO, passaria a ter o cargo de co-CEO, junto com o fundador da companhia, o agora co-CEO, Marc Benioff.

Só que, ao contrário do que parece à primeira vista, os dois co-CEOs não estão em pé de igualdade na hierarquia interna, mas Taylor segue reportando a Benioff.

A revelação é do The Information, um site do Vale do Silício.

“Desse jeito, a Salesforce pode dar o título de co-CEO para o seu time executivo inteiro, ou para todos os seus 57 mil empregados”, ironiza a The Information.

Taylor tem a responsabilidade pelo time executivo, que antes reportava a Benioff. O quanto isso significa na prática, quando os executivos sabem que Taylor responde para Benioff, fica em aberto.

O interessante é que essa não é a primeira vez que a Salesforce implementa um organograma interno com a figura do CEO duplo. 

Entre 2018 e 2020, a empresa teve um outro co-CEO, Keith Block, que reportava ao conselho de administração da empresa, em pé de igualdade (pelo menos formalmente) com Benioff.

De acordo com a avaliação do The Information, a nova organização (ou enganação, como define o site) parece servir para aplacar um pouco as ambições de Taylor.

O The Information já havia revelado em outubro que Taylor teria comentado a pessoas próximas que esperava ser promovido em breve ao cargo de CEO (sozinho, no caso).

Na avaliação do site, Benioff tomou a decisão para manter Taylor no barco, ao mesmo tempo em que não cede o controle. Pode ter tido um papel também o fato de Taylor ter sido nomeado recentemente presidente do board do Twitter.

Mesmo quando são para valer (ou justamente quando são) arranjos de divisão de poder entre co-CEOs podem dar errado. A tentativa anterior da Salesforce durou 18 meses.

Em abril de 2020, a SAP deve ter batido um recorde, ao mudar de ideia e demitir uma co-CEO seis meses depois de ter adotado a estrutura de comando dupla.

A SAP ainda pagou o mico de ter demitido a co-CEO Jennifer Morgan depois de fazer alarde do fato de estar nomeando a primeira mulher para o comando da empresa (e também de uma corporação listada na bolsa na Alemanha).

Uma experiência anterior na própria SAP durou um pouco mais, indo entre 2010 e 2014.