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NA CONTRAMÃO

Centro-oeste cresce em distribuição

Leandro Souza
// quarta, 03/02/2016 16:01

Em meio a um cenário de retração, a região centro-oeste conseguiu crescer no segmento de distribuição de TI, conforme apontou a Associação Brasileira dos Distribuidores de Tecnologia da Informação (Abradisti).

Mariano Gordinho. Foto: divulgação.

De acordo com a entidade, a região obteve um crescimento de 5,4%, percentual superior ao de 2014, que fechou com 5,1%. O Centro-Oeste surgiu como destaque nos últimos anos devido à grande demanda do agronegócio. Entretanto, a entidade não abriu valores referentes à região.

Quem perdeu a liderança foi a região Nordeste, que liderou a pesquisa em 2014, com crescimento de 14,3%. A região que conta com polos de tecnologia em alguns de seus estados, como Pernambuco, Paraíba e Alagoas, fechou 2015 com um crescimento de apenas 3,5%.

“Essas duas regiões sempre mostraram grande potencial de investimento e negócios e até 2015 representava cerca de 20% do faturamento do Distribuidor de TI, mas sofreram os efeitos da crise crescendo menos do que poderiam”, explica Mariano Gordinho, diretor-executivo da Abradisti.

A região Norte aparece em terceiro lugar, com crescimento de 3,2%, pouco abaixo dos 3,5% do ano anterior, e a região Sul, com 2,3%, abaixo dos 5,5% de 2014. Já o Sudeste se manteve estável, enquanto cresceu 2,3% no ano passado.

No geral, entretanto, o cenário é de queda. Conforme apontou pesquisa encomendada pela Abradisti junto ao IT Data, o faturamento do segmento foi estimado em R$ 11,5 bilhões, contra R$ 12,6 bilhões em 2014.

O segmento registrou queda nas vendas e nas margens de lucros, especialmente de hardware, cuja participação caiu de 31,4% para 26,9%.

Em 2015, a previsão inicial foi de 5,6% de crescimento no orçamento em relação ao ano anterior, porém o cenário econômico do país e a redução na verba para investimento em TI alteraram o desfecho. O crescimento em 2015 é de de 2,8%, um percentual muito mais baixo do que a inflação prevista no ano (9,8%).

“Foi mais um ano complicado e com resultados aquém do esperado. Devido às incertezas econômicas do Brasil, muitas empresas congelaram investimentos em tecnologia, refletindo diretamente em nosso setor”, afirma Gordinho.

Quanto à fonte de faturamento, a prestação de serviço é responsável por 40,5% da receita das revendas brasileiras, tendência que está na ascendente nos últimos anos.

Outro sintoma das dificuldades enfrentadas pelo segmento durante o ano foi a migração de revendas do meio físico para a internet e home office. 57,6% das empresas pesquisadas não têm loja física, um aumento de 5,6% em relação ao ano passado. Desse total, 36,5% têm apenas um escritório comercial e 21,1% trabalham em home-office.

"Os distribuidores que diversificaram seus negócios com prestação de serviços e comercialização de produtos não relacionados a TI alcançaram um desempenho superior à média do mercado”, explica Gordinho.

Até as grandes sentiram os impactos da retração do segmento. Um exemplo foi o da Officer, uma das maiores distribuidoras nacionais, que anunciou em outubro um pedido de recuperação judicial, devido a endividamento líquido de R$ 148,3 milhões no primeiro semestre de 2015 e um prejuízo acumulado de R$ 21 milhões no período.

Enquanto alguns sofrem, multinacionais aproveitaram o momento de baixa para fazer aquisições e investir a longo prazo. No ano passado, a americana Arrow ECS iniciou suas operações no país após comprar a CNT, segundo os rastros da ScanSource, que comprou a Network1 em 2014.

Para 2016, a estimativa é que o mercado de TI no Brasil cresça 2,8% no segmento corporativo e que haja um recuo de 6,8% nas vendas para pessoas físicas. Se a previsão se concretizar, haverá um crescimento de apenas 0,8% no mercado.

"Com a cotação do dólar na faixa dos R$3,90, somada ao baixo crescimento dos investimentos em TI estimado pela IT Data, a retração real pode chegar a 14,7%. Neste contexto, é fundamental que as revendas preparem sua estratégia para 2016", destacou a Abradisti em nota.

De acordo com a entidade, soluções de energia, cloud, consultoria, atendimento, backup e segurança da informação estarão em alta demanda durante 2016, o que pode representar uma oportunidade para as distribuidoras.

Leandro Souza