Marcio Dobal. Foto: divulgação.

Depois de registrar um crescimento acima da meta em 2014, o SAS, multinacional especializada em soluções em analytics, mira um 2015 abaixo do ritmo que teve no ano passado.

Em 2014, o SAS Brasil cresceu 15% em receita, impulsionado por um ganho de 17% em novas licenças. Entretanto, para o novo ano a companhia estima que o crescimento dos negócios no país fique na casa dos 10%.

"Visto o cenário econômico que o ano reserva, estabelecemos esta meta e um plano de crescimento para chegar a este número. Poderia aqui dar um número maior, de um crescimento superior ao do ano passado, mas não estaria sendo realista", afirmou Marcio Dobal, nomeado VP da empresa da América Latina em janeiro passado.

No cenário latino em 2015, Dobal aponta que o foco do SAS será reforçado em mercados pouco prospectados anteriormente pela multinacional, como o México, onde a empresa espera crescer mais de 30% em 2015.

Ainda assim, os resultados da sucursal brasileira do SAS ficaram acima do total global da companhia, que teve 2,3% de crescimento ao fechar com uma receita de US$ 3,09 bilhões. Além disso, a operação brasileira tem o maior faturamento da empresa nos países do BRIC.

O Brasil ainda puxa as receitas da companhia na América Latina. Embora não divulgue valores totais, a empresa destaca o mercado brasileiro como o sexto maior da multinacional, atrás de Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, Canadá e Itália.

"Este faturamento é puxado principalmente pelos nossos três principais pilares de atuação: financeiro, que ocupa 50% do faturamento, telecoms, com 25%, e governo, com 15%", destaca.

Para 2015, a expectativa da empresa era que a vertical governo assumisse a segunda posição neste cenário, uma previsão que agora é vista de forma reticente por Dobal.

"Com o atual cenário do governo, pode ser que esta estimativa não seja atendida", afirmou o executivo. Na vertical governo, o SAS atende órgãos como Aneel, Anatel, Bndes, Petrobrás, entre outros.

Quanto aos outros 10%, a companhia também está planejando a aproximação com outras verticais que tenham interesses em usar ferramentas de analytics, marketing, CRM, entre outras.

O esforço, comandado por Cássio Pantaleoni, vice-presidente do SAS Brasil, foi iniciado em 2014, com o desenvolvimento de ofertas mais abrangentes, mirando negócios de médio porte - fugindo do estigma do SAS em se prender a grandes contratos - e novas verticais como manufatura, varejo e utilities.

"Hoje as PMEs representam cerca de 10% da receita da companhia, mas esperamos que até o final de 2015 essa fatia seja aumentada em 20%. Vemos um grande potencial além das companhias maiores, pois a demanda por analytics está aumentando, principalmente em verticais como varejo e saúde", afirma.

Apesar de se aproximar de empresas de menor porte, em uma estratégia chamada de "General Business", Dobal ainda aposta alto nas grandes contas e no setor financeiro como o principal motor de crescimento a curto prazo.

"Mesmo que as PMEs aumentem sua participação e ampliem nossa gama de novos clientes e expertises, nosso forte é trabalhar com grandes empresas e grandes fluxos de dados. Ainda temos muito a crescer e soluções novas a oferecer para bancos, telecom e governo", avalia.

Além de horizontalizar a oferta, a expansão geográfica também está na pauta do SAS. Em 2014 a companhia já iniciou uma investida do tipo, quando contratou Katia Scheid, ex-gerente de contas corporativas da Dell em Porto Alegre, para assumir como executivas de contas na capital gaúcha.

Segundo Pantaleoni, a presença em Porto Alegre já garantiu um pipeline interessantes de projetos para 2015. Entre projetos já concluídos e outros em andamento no estado e na região Sul estão nomes como HCPA e Sicredi.

A oferta de produtos em cloud também deve ganhar um impulso em 2015. No ano passado a companhia firmou uma parceria com a Amazon Web Services para iniciar a disponibilização de sua aplicação SAS Visual Analytics em ambiente cloud.

Para Dobal, ainda no primeiro semestre 2015 a empresa deve trazer novos produtos em ambiente cloud, de CRM e visualização de dados. 

"Para qualificar esta oferta, o SAS está avaliando a busca de novas parcerias além da AWS para ter estrutura de data center no país", avalia o vice-presidente.