ACORDO

Sage tem novo dono no Brasil

03/03/2020 14:25

Presidente da empresa no país compra operação da matriz inglesa.

Jorge Carneiro comprou a empresa que ele já comandava.

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A Sage vendeu seus negócios no Brasil para o presidente da empresa no país, Jorge Carneiro, por um valor de £ 1 milhão pagos à vista, e outros £ 9 milhões em um prazo e condições não reveladas.

A venda foi comunicada pela Sage em uma nota para investidores em nível mundial e corroborada por meio de uma nota enviada ao Baguete pela operação brasileira.

Jorge Carneiro é presidente da Sage Brasil desde 2014 e um executivo com 20 anos de Sage, tendo sido antes CEO da Sage em Portugal entre 1999 e 2014.

“Agora, teremos mais independência e, consequentemente, velocidade para conduzir o negócio focando nas necessidades das empresas brasileiras. Acredito muito na empresa, no nosso time, nos brasileiros e no potencial do país”, afirma Carneiro.

De acordo com a nota para investidores, negócio vendido teve receitas de £ 53 milhões no ano fiscal encerrado em setembro de 2019, uma queda pequena frente aos £ 54 milhões do ano anterior.

No mesmo período, a empresa também reverteu um prejuízo de £ 7 milhões, para um lucro operacional de £ 2 milhões.

A operação brasileira foi colocada à venda em novembro de 2019, como parte de estratégia de focar nos produtos globais e em algumas regiões específicas, entre as quais não estava no Brasil.

O negócio deve estar fechado definitivamente em 60 dias. 

“Muito em breve teremos importantes novidades, focadas no mercado brasileiro. Estamos empenhados em levar os nossos clientes para a economia digital de forma tranquila e ponderada. Estamos começando uma nova história, que trará com certeza muitas oportunidades para todo o nosso ecossistema”, finaliza Carneiro.

A imensa maioria da base de clientes da Sage no Brasil é oriunda de três compras feitas no país: Folhamatic, EBS e Cenize, donas de três softwares de gestão focados em escritórios de contabilidade.

Eles são os produtos não globais que a Sage queria vender e acabou vendendo, por uma fração do preço pago originalmente.

A maior das compras foi da Folhamatic, pela qual a empresa pagou R$ 398 milhões por 75% de participação em 2012.

Os outros 25% restantes foram pagos em 2015, em um negócio que não teve o valor divulgado. Se o preço foi proporcional, ficaria em mais R$ 132 milhões.

Apesar da Sage não ter feito muito estardalhaço sobre o assunto no momento, foi o segundo maior negócio do mercado de ERP brasileiro, só atrás da compra da Datasul pela Totvs, em 2008, uma operação de R$ 700 milhões.

Depois, a Sage gastou algo próximo a R$ 50 milhões para adquirir as paranaenses Empresa Brasileira de Sistemas (EBS), sediada em Curitiba, e Cenize Informática, de São José dos Pinhais.

O plano da Sage parecia ser usar os sistemas de gestão para escritórios de contabilidade, como uma porta de entrada em empresas pequenas atendidas por esses contadores, o que é uma abordagem comum.

O produto próprio que a Sage queria emplacar por aqui mesmo era o X3, seu ERP na nuvem para pequenas e médias empresas, lançado em 2015.

A Sage queria brigar com softwares da Totvs e do Business One, produto para pequenas e médias da SAP, concorrentes na fatia mais fragmentada do mercado de ERPs no Brasil.

Não deu certo, segundo avaliaram analistas de mercado ouvidos pelo site britânico The Register.

"O mercado de ERP no Brasil é dominado pela Totvs. Para ser franco, a Sage não tinha nenhuma chance com uma colagem de pacotes focados em contabilidade", resumiu um deles.

A base de clientes Folhamatic, EBS e Cenize ficou na mão da nova empresa controlada por Carneiro.

Questionada sobre o assunto pelo Baguete, a Sage do Brasil disse apenas que a Sage global seguiria trabalhando diretamente o produto X3, "em conjunto com Carneiro".

Apesar de nunca ter decolado para valer no Brasil, o X3 tem uma rede de parceiros locais e passou por algumas movimentações importantes nos últimos tempos.

Em outubro do ano passado, a Xplor, companhia portuguesa que é uma das maiores parceiras da Sage, criou uma joint venture com a brasileira Grupo TechTrends para vender no Brasil o X3.

Com a união, nasceu a Xplor Latin America, cujo objetivo é tornar-se a maior implementadora no país do X3 até o final de 2020.

A dúvida que fica é se a nova empresa comandada por Carneiro vai ser um players a mais no mercado X3, ou se terá algum status especial, atuando como um distribuidor para os parceiros já existentes.

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