A participação do Grupo Telefónica será realizada por meio da Telefônica Brasil e da Telefónica Infra. Foto: divulgação.

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O Grupo Telefónica e a Caisse de dépôt et placement du Québec (CDPQ), grupo canadense de investimento, anunciaram a criação da FiBrasil, empresa de rede neutra e independente de fibra por atacado, com um investimento de até CA$ 408 milhões, cerca de  R$ 1,8 bilhão.

O valor deve ser investido pela CDPQ em duas parcelas, mas a transação ainda está sujeita à aprovação regulatória. O fechamento do negócio está previsto para ocorrer no segundo trimestre de 2021.

Com a conclusão, cada empresa terá 50% da FiBrasil, em um modelo de governança de co-controle. 

A participação de 50% do Grupo Telefónica será realizada por meio da Telefônica Brasil, a Vivo, e da Telefónica Infra, braço de infraestrutura da companhia. Cada uma terá 25% de participação.

Atuando como uma empresa de atacado neutra, a FiBrasil irá implantar e operar redes de fibra em cidades de médio porte fora do estado de São Paulo, comercializando o acesso à fibre-to-the-home (FTTH) a todos os provedores de telecomunicações.

A nova companhia já começa com um portfólio de 1,6 milhão de Homes Passed (HPs) oriundos da Telefônica Brasil e pretende expandir a rede para 5,5 milhões de domicílios em um período de quatro anos.

“Estamos muito satisfeitos em colocar a nossa experiência em FTTH e capacidades comerciais nesta parceria, unindo forças com a CDPQ como um elemento-chave para o sucesso, fortalecendo nossa proposta de valor e reforçando nossa estratégia de crescimento", afirma Ángel Vilá, COO do Grupo Telefónica.

Para a CDPQ, a transação é uma oportunidade para diversificar seu portfólio de infraestrutura, que conta com ativos líquidos de CA$ 30 bilhões, cerca de R$ 136 bilhões, e demonstra o interesse contínuo da empresa pelo Brasil e pela América Latina.

"A CDPQ está entusiasmada em estabelecer uma joint-venture com a Telefónica, uma das principais provedoras de serviços de telecomunicações do mundo, para acelerar a entrega de infraestrutura de fibra de próxima geração para mais 5 milhões de lares brasileiros”, afirma Emmanuel Jaclot, vice-presidente executivo e líder de infraestrutura da CDPQ. 

A Vivo deve ser o principal cliente da FiBrasil, que também se beneficiará da sua capacidade de comercialização em seus diversos canais de vendas online e offline.

“A fibra será um fator chave para o crescimento futuro da receita da Vivo, com o objetivo de atingir pelo menos 24 milhões de HPs até o final de 2024, e a FiBrasil será a plataforma para expandir a cobertura para cidades greenfield", conta Christian Gebara, CEO da Telefônica Brasil.

O Grupo Telefónica é um dos maiores conglomerados de comunicação do mundo, com operação na Europa e na América Latina e mais de 345 milhões de clientes. Em 2019, sua receita foi de € 48,4 bilhões.

A Vivo é a marca comercial da Telefônica Brasil e soma 93 milhões de acessos no país. Líder de mercado no segmento móvel, a Vivo conta com uma participação de 33,6% no marketshare, com 78,5 milhões de linhas em operação.

Na operação fixa, encerrou dezembro de 2020 com 15,7 milhões de HPs com tecnologia de fibra até a casa do cliente (FTTH) em 266 cidades.

De acordo com o site Convergência Digital, a transação faz a Vivo sair na frente das rivais Oi e TIM, que ainda negociam com seus investidores para ter a operação de rede neutra ou rede aberta, como fala a TIM.

O Caisse de dépôt et placement du Québec (CDPQ) é um grupo de investimento global que gerencia fundos para planos de aposentadoria e seguros públicos, com ativos líquidos na casa dos CA$ 365,5 bilhões.