Maurício Fernandes. Foto: divulgação.

A Amazon mirou o mercado de consumo, mas o tiro pode acertar também o universo de clientes corporativos. Pelo menos é o que alguns parceiros da marca enxergam com o Fire, smartphone anunciado por Jeff Bezos no mês passado.

“Tem [apelo corporativo] sim”, avalia Maurício Fernandes, presidente da Dedalus, uma das principais revenda nos negócios de nuvem da gigante para o mercado brasileiro.

Na sua visão, o aparelho se assemelha bastante ao que se espera de um dispositivo empresarial. “E é aberto a novos desenvolvimentos, o que deve atrair soluções de todos os tipos”, acrescenta.

Contudo, não há direcionamento estratégico ou comercial para envolver, pelo menos por enquanto, canais Amazon Web Services (AWS) nos negócios envolvendo o dispositivo. Isso porque as áreas de varejo e cloud tem atuação bastante distinta.

“Nós não vamos, a priori, nos envolver com esta comercialização”, diz o executivo, comparando a situação com o que ocorre com equipamentos do Google, outra marca que a Dedalus estampa em seu portfólio.

A visão é que há pouco que os parceiros podem agregar em termos de distribuição. Contudo, os aliados podem ter papel importante na formação de um ecossistema especializado em outras frentes envolvendo o aparelho, como criação aplicativos ou oferta de serviços de MDM (gestão de dispositivos móveis, no inglês), por exemplo.  

Sobre a discussão se o Fire muda a competição com aparelhos que rodem o sistema operacional da outra gigante da computação em nuvem, Fernandes diz: “Em nada. É uma briga entre eles e que ainda não se acirrou. O Android e dominante ao menos por enquanto”.

A opinião dele, aparentemente, tem sinergia com o que os analistas observam em termos de concorrência também com dispositivos Apple. Aparentemente, a Amazon não pretende disputar, pelo menos por enquanto, essas batalhas.

Depois do anúncio, o mercado americano expressou algumas reações que transitaram entre euforia e descrença quanto ao sucesso comercial do celular. Com a força do gigante do varejo, por trás da estratégia, impulsionando vendas, pode ser que seja precipitado apostar no sucesso ou fracasso da iniciativa.

Alguns analistas classificaram o aparelho como um e-commerce de mão. Mas o Fire, como foi batizado, traz alguns recursos como, por exemplo, uma tecnologia de perspectiva dinâmica que confere uma sensação 3D ao usuário.

No entanto, como destaca a revista britânica The Economist, à parte de suas pretensões tecnológicas, o lançamento do Fire Phone é, pura e simplesmente, negócios.

"O smartphone é típico da Amazon. Há a expansão sem escrúpulos: se você pode entregar livros e máquinas de lavar, por que não um telefone celular", diz a revista.

O fato é que, de acordo com o histórico da empresa com seus produtos próprios, como foi o caso do Kindle, é a presença agressiva no mercado, uma receita para o sucesso junto aos consumidores.

Sobre as pretensões da Amazon, mesmo em um mercado já bastante povoado, não se deve subestimar a empresa. Ao lançar o e-reader Kindle há alguns anos atrás, muitos analistas duvidaram da aposta da empresa no mercado de livros eletrônicos. Hoje, somente a divisão Kindle rende US$ 4,5 bilhões anuais para a empresa.

O telefone foi posto em pré-venda através do site da gigante do varejo e por meio da AT&T, com as primeiras unidades previstas a chegarem aos consumidores no final de julho.

A faixa de preço varia de US$ 200 a US$ 650. Ainda não há previsão para que o dispositivo chegue a mercados como o brasileiro.