Weber Canova.

Weber Canova, vice-presidente de Tecnologia da Totvs, foi convidado para integrar o Conselho Executivo de Produtos da Progress, tornando-se o único representante da América Latina entre os 14 executivos que compõem o grupo.

A informação foi divulgada pela Totvs. A reportagem do Baguete procurou a Progress para saber o resto da composição do grupo, mas a empresa afirmou que a mesma é confidencial.

O convite para integrar o conselho surgiu após uma reunião, proposta por Canova, com o time de produtos da Progress nos quais o executivo da Totvs representou os clientes da companhia que usam tecnologia da multinacional, ou seja, a antiga base da Datasul.  

Os membros do conselho se reúnem periodicamente, geralmente fora do Brasil, para discutir questões técnicas de desenvolvimento de produtos, estratégias de mercado, tendências, roadmap, entre outros assuntos que impactam o uso das soluções da Progress.

A entrada de Canova no conselho sinaliza uma influência crescente da Totvs na Progress. 

O movimento começou a aparecer com mais força no ano passado, quando a multinacional decidiu vender softwares como a solução de processamento de eventos complexos Apama e concentrar suas fichas  no Open Edge, sua tradicional plataforma de desenvolvimento e banco de dados, agora remoçada com funcionalidades móveis e de computação em nuvem.

No Brasil, a empresa nomeou Marcos Primo como country manager. O executivo tem 13 anos de casa, o novo presidente tem um background comercial e experiência atuando diretamente com grandes clientes da multinacional como Tumelero, Angeloni, Unimed Caxias do Sul e Grendene.

O que todas essas empresas tem em comum é serem usuárias do ERP da Datasul, que é baseado em tecnologia Progress. Desde que a companhia foi adquirida pela Totvs, em 2008, rumores circulavam que a Totvs poderia optar por descontinuar o uso do OpenEdge.

Somado com o novo discurso comercial da Progress, os rumores acabaram por dar à tecnologia da Progress um ar de “legado” que serviu bem para uma ofensiva de empresas como a SAP sobre a base de clientes Datasul, as maiores organizações da base Totvs.

As duas empresas parecem ter entendido que a situação é mutuamente desvantajosa e decidiram estreitar relações. 

A Totvs virou no ano passado uma revenda de Open Edge no México, Argentina, Chile, Panamá, Guatemala, Honduras, Costa Rica, Paraguai, Bolívia e Uruguai. A ideia é reforçar a competitividade da oferta da Progress frente ao banco de dados SQL Server da Microsoft.

Além disso, o banco de dados da Progress também passa a rodar no ERP Protheus, dono de uma grande base de usuários entre pequenas empresas brasileiras antes desenvolvido em ADVPL, uma linguagem proprietária da Microsiga.

Não se sabe quais são colegas de Weber Canova no tal conselho, mas é uma aposta segura dizer que o brasileiro representará uma companhia de peso e capacidade de influência no futuro da Progress. 

A Totvs faturou R$ 1,6 bilhão em 2013, mais ou menos o dobro da própria Progress, que fechou o ano com US$ 333 milhões.