Viu essa? Agora a Broadcom quer comprar também a Symantec! Foto: Pexels.

A Broadcom está negociando a compra da Symantec, em um negócio de US$ 15 bilhões que pode ser fechado nas próximas semanas.

A informação é da Bloomberg, citando fontes próximas da negociação. Nem Symantec nem Broadcom confirmam a existência de uma conversa. 

A gigante de semicondutores fez uma grande aposta no mercado de software no ano passado, ao comprar a CA Technologies em um negócio de US$ 18,9 bilhões fechado em julho do ano passado que muita gente não entendeu bem.

A Symantec é uma empresa em uma situação similar à da CA, com vendas estagnadas e pressionada por novos players no mercado de segurança.

Ainda em abril, a empresa despediu mais um CEO, depois de resultados fracos no ano fiscal 2019.

Greg Clark estava no comando da empresa desde 2016. Clark era o CEO da Blue Coat, que a Symantec comprou em agosto de 2016 por US$ 4,65 bilhões visando dar uma sacudida na Symantec.

Grandes negócios são o cotidiano da nova Broadcom, surgida quando a Avago pagou US$ 37 bilhões pela empresa em 2016, adotando logo depois o nome.

As ações da Symantec subiram 25% depois da divulgação da notícia, num sinal que os investidores estão empolgados com a perspectiva.

O que a Broadcom está tentando fazer é menos claro.

A CA é uma referência no mercado de gestão de infraestrutura de tecnologia, com destaque para ambientes mais antigos, baseados em mainframe, com os quais a empresa começou a trabalhar nos anos 70.

Desde então, a CA diversificou bastante sua oferta por meio de mais de 200 aquisições, entrando nos mercados de segurança, gerenciamento de identidades, monitoramento de performance de aplicações, automatização de desenvolvimento de software.

O negócio de mainframe ainda é responsável por mais da metade da receita da CA, que nos últimos anos tem girado em torno de US$ 4 bilhões, os mesmos níveis de 1997.

A Symantec está numa situação parecida. A empresa é forte para segurança da informação em ambientes on premise, um tipo de arquitetura de TI em desuso. 

Ela comprou a Blue Coat, dona de soluções mais orientadas para cloud, visando sacudir isso um pouco, mas os resultados ainda não apareceram. 

A companhia já fez tacadas parecidas no passado que não deram certo, como a compra da companhia de storage Veritas em 2005, por US$ 13 bilhões. 

Os dois negócios nunca conseguiram se integrar bem e Symantec acabou separando as empresas no ano passado, ao vender a Veritas para o fundo Carlyle Group por um total de US$ 8 bilhões.

No ano de 2019, a Symantec ficou estagnada em vendas, passando de US$ 4,73 bilhões para US$ 4,83 bilhões. O lucro líquido sumiu, caindo de US$ 1,13 bilhão para apenas US$ 31 milhões.

A Broadcom atua num mercado totalmente diferente, investindo pesado em produzir chips e competindo com gigantes como a Qualcomm (que aliás, ela tentou recentemente comprar, numa iniciativa bloqueada pelo governo americano porque a Broadcom era então baseada em Cingapura).