Elop e Ballmer. Agora vai. Foto: divulgação.

Não chega a ser assim tão surpreendente, mas ainda assim impressiona. A Microsoft adquiriu nesta terça-feira, 03, a divisão de celulares e serviços da finlandesa Nokia, em um negócio de € 5,4 bilhões (cerca de US$ 7 bilhões).

O valor corresponde a € 3,49 bilhões pela unidade de aparelhos e serviços da Nokia e € 1,65 bilhão pelas patentes registradas pela Nokia.

A transação marca o passo final de uma parceria que crescia nos últimos anos, com a Nokia se tornando o parceiro número 1 da companhia americana na adoção do sistema Windows 8 para smartphones.

Com a compra, a Microsoft se firma de vez no mercado de fabricantes de dispositivos móveis. Segundo o Business Insider, com o negócio, a empresa de Steve Ballmer pretende entrar com força não apenas nos smartphones, mas também nos tablets.

A absorção da Nokia trará 32 mil novos funcionários para a Microsoft. Stephen Elop, um ex-executivo da Microsoft que assumiu a presidência da companhia finlandesa em 2010, assumirá a divisão de produtos da empresa de Redmond, a qual será responsável pelas equipes da Nokia.  

Para analistas, a união das duas marcas chega para sacudir o mercado de dispositivos móveis, dominado pelo Android e iOS - ou no caso de fabricantes, Samsung e Apple - embora timidamente no último ano o Windows aumentou sua fatia, passando a BlackBerry no terceiro lugar, puxado principalmente pela linha Lumia, da Nokia.

No último trimestre, a Nokia vendeu cerca de 7,4 milhões de smartphones Lumia, se tornando um sucesso de vendas, principalmente nos segmentos de smartphones de entrada e médio.

Para o analista senior de mercado da Frost & Sullivan, Fernando Belfort, a decisão da MS foi audaciosa, mas necessária, o que pode trazer um fôlego novo para a companhia disputar no mercado de smartphones e tablets.

"A gigante americana precisava de claras sinergias entre hardware e software, como é o caso da Apple. Acho que o namoro finalmente virou casamento. Hoje ninguem mais duvida que a Microsoft quer brigar pela liderança no mercado móvel", observa.

A manobra da Microsoft lembra a compra da Motorola pelo Google em 2011, em uma tentativa de impulsionar ainda mais a presença de mercado do Android.

A compra também vai de encontro à política de reorganização proposta pela Microsoft, conforme um comunicado divulgado pelo CEO Steve Ballmer em julho, que cimentava a posição da companhia como uma fabricante de dispositivos e serviços, promovendo a sinergia entre diferentes divisões.

A compra de parte da Nokia pode ser a sinergia que faltava para aumentar a competitividade no concorrido mercado dos dispositivos móveis, afirmam analistas.

Para Steve Ballmer, CEO da empresa de Redmond, a transação é um passo ambicioso para o futuro e um ganho para os funcionários, acionistas e consumidores de ambas as empresas.

"Reunir estes dois grandes times irá acelerar o valor de mercado e o faturamento em mobile da Microsoft, além de fortalecer as oportunidades para a Microsoft e seus parceiros em todas as famílias de dispositivos e serviços", afirmou o executivo.

Com a Nokia reenergizada, fica por aí a canadense Blackberry, que amargou números fracos com o seu retorno no início do ano e já avalia possibilidades de venda ou de joint-venture para sobreviver no mercado.

Depois de lançar o novo sistema em janeiro, a empresa teve problema em emplacar seus aparelhos em meio a presença massiva de concorrentes como o iOS e Android, amargando o quarto lugar com 3% e disputando fatias menores com a Microsoft, que já está com a medalha de bronze e cerca de 5% de share.

NOVO CEO?

Falando em executivo, outra especulação que ganhou força após o anúncio da compra, foi a possibilidade de Stephen Elop se tornar o próximo CEO da Microsoft.

Steve Ballmer anunciou há três semanas que pretende deixar a presidência da companhia, que ocupa desde 2000, dentro de um ano. Com o anúncio, o conselho da fabricante do Windows iniciou sua procura por um novo executivo. Elop pode estar nesta lista.

Em depoimento ao site The Verge, Ballmer destacou que a negociação para comprar a divisão de celulares da Nokia já estava em andamento muito antes do seu anúncio de aposentadoria. No entanto, ele não negou que Elop seja um nome forte para lhe substituir.

"Nosso conselho está avaliando candidatos internos e externos. Stephen Elop agora está indo do externo para o interno, mas nosso conselho está considerando todo mundo. Eles farão isso de forma privada - que é a maneira correta de conduzir estes processos", desconversou Ballmer.